Inflação fora da meta e guerra no Oriente Médio levam Copom a adotar cautela e manter juros elevados

Inflação fora da meta e guerra no Oriente Médio levam Copom a adotar cautela e manter juros elevados

A persistência da inflação acima da meta, somada à incerteza internacional provocada por conflitos geopolíticos, tem imposto ao Comitê de Política Monetária uma condução mais cautelosa da política monetária, com manutenção de juros em patamar elevado por período prolongado.

É o que indica a ata da reunião realizada no fim de abril, na qual o colegiado reconhece que o ambiente externo segue “incerto”, especialmente em razão das tensões no Oriente Médio, com reflexos diretos sobre preços de commodities, condições financeiras globais e expectativas inflacionárias.

No plano doméstico, o Comitê observa que a atividade econômica apresenta trajetória de moderação, em linha com o esperado, enquanto o mercado de trabalho ainda demonstra resiliência. Ao mesmo tempo, as medidas de inflação — tanto o índice cheio quanto seus componentes subjacentes — voltaram a acelerar, afastando-se da meta estabelecida.

As projeções indicam inflação de 4,6% em 2026 e 3,5% em 2027, patamares ainda superiores ao centro da meta, enquanto as expectativas captadas pela pesquisa Focus permanecem elevadas, revelando quadro de desancoragem, sobretudo em horizontes mais longos.

Diante desse cenário, o Copom enfatiza que a convergência da inflação exigirá política monetária restritiva por mais tempo. O colegiado destaca que, em ambientes de expectativas desancoradas, o custo de desinflação tende a ser maior, demandando “perseverança, firmeza e serenidade” na condução da política econômica.

A ata também registra que os efeitos da política monetária já são perceptíveis na desaceleração do crédito e na moderação da demanda agregada, elementos considerados essenciais para o reequilíbrio entre oferta e demanda na economia.

No campo fiscal, o Comitê reforça a necessidade de políticas previsíveis e críveis, alertando que a perda de disciplina fiscal, a expansão do crédito direcionado e as incertezas sobre a trajetória da dívida pública podem elevar a taxa de juros estrutural da economia e dificultar o controle inflacionário.

Apesar do ambiente adverso, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% ao ano, em movimento descrito como parte de um processo de “calibração” da política monetária. O colegiado, contudo, ressalta que a magnitude e a duração de novos cortes dependerão da evolução do cenário, especialmente dos efeitos dos conflitos internacionais sobre a inflação.

Ao final, o Comitê reafirma compromisso com a estabilidade de preços e sinaliza que seguirá ajustando sua atuação de forma gradual, à medida que novas informações permitam maior clareza sobre o comportamento da economia e dos riscos inflacionários.

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