Aliados de Bolsonaro apostam em nova ofensiva com uso da Lei Magnitsky após condenação no STF

Aliados de Bolsonaro apostam em nova ofensiva com uso da Lei Magnitsky após condenação no STF

O julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu movimentações de seus aliados no exterior.

Segundo apurações de bastidores, circula a expectativa de que a Lei Magnitsky, mecanismo de sanções adotado por Donald Trump contra violações de direitos humanos e atos de corrupção, seja novamente invocada nas próximas semanas como resposta à decisão.

Possíveis alvos

Entre os nomes mencionados, estaria o procurador-geral da República, Paulo Gonet, autor da denúncia que levou Bolsonaro ao banco dos réus. Também se especula que familiares do ministro Alexandre de Moraes e empresas associadas a eles poderiam ser incluídos em eventual sanção norte-americana. A leitura de bolsonaristas é de que a responsabilização criminal de Bolsonaro, bem como das sete outras condenações que variaram entre 16 e 26 anos, configuraria perseguição política.

Sinalização de Washington

Um dos elementos usados como indicativo pelos apoiadores do ex-presidente é a declaração atribuída ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que em publicação nas redes sociais criticou o julgamento e afirmou que “os Estados Unidos responderão adequadamente a essa caça às bruxas”. A manifestação teria reforçado a percepção de que a Casa Branca prepara medidas diplomáticas e econômicas direcionadas a autoridades brasileiras.

Antecedente recente

Essa não seria a primeira vez que a Magnitsky entra no tabuleiro político brasileiro. Em julho, o Tesouro norte-americano aplicou sanções contra Alexandre de Moraes, resultando no cancelamento de visto e bloqueio de cartões de crédito nos EUA. À época, bolsonaristas atribuíram o movimento às articulações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do jornalista Paulo Figueiredo, ambos residentes nos Estados Unidos. Analistas, contudo, apontaram que a motivação real estava ligada às decisões do ministro sobre grandes plataformas digitais — como X e Rumble — suspensas temporariamente no Brasil.

Repercussão

O uso recorrente da Lei Magnitsky como instrumento de pressão contra ministros do Supremo insere a disputa política brasileira no cenário geopolítico internacional. Para aliados de Bolsonaro, trata-se de uma forma de confrontar decisões que consideram arbitrárias. Já especialistas destacam o risco de instrumentalização de sanções externas em embates domésticos, num cenário em que o STF procura consolidar entendimento histórico sobre crimes contra a democracia.

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