STJ define competência do Juízo num conflito para julgar importunação sexual virtual

STJ define competência do Juízo num conflito para julgar importunação sexual virtual

O crime de importunação sexual pode ser consumado no ambiente virtual. A prática de atos libidinosos, mesmo sem contato físico, como o envio de vídeos ou imagens explícitas sem o consentimento da vítima, configura violação de liberdade e dignidade sexual. Qualquer ato realizado com o objetivo de satisfazer a lascívia do autor ou de terceiros, expõe a vítima e caracteriza o crime.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) resolveu um conflito de competência entre a Central de Inquérito de Manaus (Tribunal de Justiça do Amazonas – TJAM) e o Juízo da Comarca de Campos do Jordão (Tribunal de Justiça de São Paulo – TJSP). Foi relator o Ministro Joel Ilan Paciornick.

O caso envolveu uma vítima, localizada em São Paulo, que recebeu uma chamada de vídeo via WhatsApp na qual um homem se masturbava. Descobriu-se que a linha telefônica usada estava cadastrada em Manaus. O STJ definiu que o crime de importunação sexual foi consumado no local onde a vítima recebeu a ligação, embora esta tenha se originado no Amazonas.

A vítima, moradora de Campos do Jordão, dirigiu-se à Delegacia de Polícia daquele município e relatou que atendeu uma chamada de vídeo desconhecida via WhatsApp, durante a qual visualizou um homem se masturbando. Diligências apuraram que a linha telefônica utilizada para a chamada estava cadastrada em nome de uma pessoa residente em Manaus, para onde os autos foram encaminhados.

O Juízo de Direito da Central de Inquéritos de Manaus declinou de sua competência, argumentando que o local da infração, onde o crime foi consumado, era a comarca de São Paulo, sendo Campos do Jordão o foro competente para processar e julgar o caso, conforme previsão do Código de Processo Penal.

No entanto, o Juízo paulista discordou e suscitou um conflito de competência, que foi julgado pelo STJ. Para o magistrado suscitante, a consumação do crime de importunação sexual ocorre com a efetiva prática do ato libidinoso, ou seja, o momento consumativo seria quando o ato foi realizado, em Manaus. O Ministro Paciornick decidiu de maneira diferente, indicando a Comarca suscitante como competente para processar e julgar o feito.

Para o Ministro, é importante considerar o modo como o crime foi perpetrado. No caso, o crime foi praticado de forma que envolveu a vítima isoladamente, sem que o fato atingisse terceiras pessoas. Assim, afastou-se o entendimento de que o local competente seria onde o material foi enviado via internet. Desta forma, concluiu-se que o crime se consumou onde a vítima tomou conhecimento do ilícito, ou seja, em Campos do Jordão.

CONFLITO DE COMPETÊNCIA Nº 198404 – SP  
RELATOR : MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIK

Leia mais

Operação investiga esquema de agiotagem e extorsão contra servidores em Manaus

Uma operação deflagrada na manhã desta segunda-feira (27) pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), com apoio da Polícia Civil, apura a atuação de um...

TJAM suspende domiciliar e define preventiva de mulher presa em operação após morte de investigador

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) restabeleceu, em decisão liminar, a prisão preventiva de Meirilany Silva da Silva, suspendendo a prisão domiciliar que...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Operação investiga esquema de agiotagem e extorsão contra servidores em Manaus

Uma operação deflagrada na manhã desta segunda-feira (27) pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), com apoio da Polícia Civil,...

TJAM suspende domiciliar e define preventiva de mulher presa em operação após morte de investigador

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) restabeleceu, em decisão liminar, a prisão preventiva de Meirilany Silva da Silva,...

Condenação por uso da máquina pública em campanhas eleitorais exige provas consistentes, decide TRE-AM

Na representação, julgada improcedente,  o Ministério Público Eleitoral atribuiu aos investigados a realização de atos políticos em entidade subvencionada...

Valor da causa em rescisão de contrato built to suit deve seguir Lei do Inquilinato

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que, nas ações de rescisão de contrato...