IPTU lançado com base em decreto é ilegal e dá direito à devolução, fixa TJAM

IPTU lançado com base em decreto é ilegal e dá direito à devolução, fixa TJAM

A Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) reconheceu,num caso concreto e individualizado, a ilegalidade da cobrança de IPTU referente aos exercícios de 2015 e 2016 no Município de Manaus, por ter sido baseada em Planta Genérica de Valores (PGV) instituída apenas por decreto, sem respaldo em lei municipal.

A decisão foi proferida no julgamento da Apelação Cível nº 0633629-27.2020.8.04.0001, sob a relatoria da Desembargadora Socorro Guedes Moura.

Segundo os autos, o contribuinte ingressou com ação de repetição de indébito pleiteando a devolução dos valores pagos a título de IPTU, argumentando que a base de cálculo do imposto foi fixada por meio do Decreto Municipal n. 1.539/2012, sem respaldo na Lei Municipal n. 1.628/2011. A sentença de primeiro grau havia julgado o pedido improcedente, mas a decisão foi reformada parcialmente em grau de apelação.

Ao analisar o recurso, a relatora destacou que o princípio da legalidade tributária — previsto no art. 150, I, da Constituição Federal e no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional — impõe que a base de cálculo do tributo seja definida por lei em sentido estrito, não podendo ser alterada ou fixada por ato infralegal, como um decreto do Poder Executivo.

“A ausência de previsão legal da PGV compromete a validade da exação tributária”, apontou a magistrada, enfatizando que apenas em 2016, com a promulgação da Lei Municipal n. 2.192/2016, o Município de Manaus passou a cumprir os requisitos legais para a cobrança do IPTU com base em valores atualizados.

Diante da constatação de que as cobranças dos anos de 2015 e 2016 foram realizadas com base em critérios definidos exclusivamente por decreto, o colegiado reconheceu a ilegalidade da cobrança e determinou a restituição dos valores pagos indevidamente, com atualização pela taxa SELIC.

A tese firmada no acórdão reafirma que a base de cálculo do IPTU deve ser definida por lei e que a ausência de previsão legal da PGV inviabiliza a cobrança do imposto. 

Processon.0633629-27.2020.8.04.0001

Leia mais

STJ nega liminar a condenado por mais de 109 anos no primeiro julgamento do massacre do Compaj

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liminar em habeas corpus apresentado pela defesa de Anderson Silva do Nascimento, condenado a...

Confirmação de sentença pelos próprios fundamentos não afronta dever constitucional de motivação

A possibilidade de uma Turma Recursal confirmar integralmente uma sentença pelos próprios fundamentos, sem reproduzir toda a fundamentação da decisão de primeiro grau, voltou...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

STJ nega liminar a condenado por mais de 109 anos no primeiro julgamento do massacre do Compaj

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liminar em habeas corpus apresentado pela defesa de Anderson...

Confirmação de sentença pelos próprios fundamentos não afronta dever constitucional de motivação

A possibilidade de uma Turma Recursal confirmar integralmente uma sentença pelos próprios fundamentos, sem reproduzir toda a fundamentação da...

Mãe que agrediu filha após flagrá-la em caixa d’água é condenada por maus-tratos

Mãe que submeteu a filha a castigo físico excessivo após flagrá-la tomando banho dentro de uma caixa d’água foi...

Mulher que encontrou lagartixa em iogurte deve ser indenizada

Uma empresa do ramo alimentício deve indenizar consumidora que encontrou uma lagartixa dentro de um pote de iogurte de...