Conselheiros pedem afastamento de promotor por ofensa a advogada

Conselheiros pedem afastamento de promotor por ofensa a advogada

Os representantes da advocacia no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), conselheiros Rodrigo Badaró e Rogério Varela, solicitaram à corregedoria do órgão o afastamento do promotor de Justiça Francisco de Assis Santiago de sua atuação no tribunal do júri enquanto durarem as apurações sobre sua conduta contra a advogada Sarah Quinetti Pironi em julgamento recente, em Belo Horizonte (MG).

A solicitação de Badaró e Varela está em uma reclamação disciplinar encaminhada ao corregedor nacional do MP, Ângelo Fabiano Farias da Costa. Os conselheiros afirmam que a conduta do promotor “configura grave violação dos deveres funcionais que são impostos por Lei aos Membros do Ministério Público, demonstrando uma completa desconsideração pela dignidade da profissão advocatícia e, por extensão, pelo respeito aos direitos humanos e à igualdade de gênero”.

O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, afirma que a entidade, por meio de seus representantes no CNMP e no CNJ, tem sido “implacável na adoção ágil de medidas contra quaisquer ofensas às prerrogativas da advocacia”. Segundo ele, a OAB “deve sempre manter como prioridade a defesa e o fortalecimento das prerrogativas”.

A fala do promotor contra a advogada é classificada na reclamação como “inadmissível” e “absolutamente inadequada no exercício de ato profissional, tendo o condão de atingir a honra da advogada e depreciar publicamente a figura feminina, reforçando a cultura da misoginia e do machismo estrutural vivenciado na sociedade”.

Os conselheiros Badaró e Varela reiteram o compromisso institucional de “desnaturalizar expressões e condutas discriminatórias que reforcem qualquer forma de violência e desrespeito contra a mulher”. Essa atuação, defendem, deve servir de “paradigma para uma mudança estrutural na Justiça, garantindo que todos os procedimentos legais sejam imparciais e justos e não sejam afetados por estereótipos de gênero, razão pela qual condutas deste jaez merecem a devida apuração”.

Os conselheiros do CNMP reiteram, ainda, que se faz necessário combater os ataques praticados por alguns membros do Ministério Público contra a advocacia. Badaró e Varela citam diversos registros de notícias disponíveis na internet, o que “demonstra que esse tipo de conduta, infelizmente, vem ganhando espaço no dia a dia forense”.

“Como se vê, a exceção vem se tornando regra, fato esse que impõe a este Conselho Nacional do Ministério Público uma atuação firme e rigorosa, tanto no sentido de orientar, quanto no sentido de apurar e punir de modo exemplar aqueles que desviam no cumprimento de seus deveres”, finalizam os conselheiros.

 Com informações OAB 

Leia mais

Por derramamento de santinhos, TSE mantém condenação e afasta tese de desconhecimento no Amazonas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, por unanimidade, a condenação do então candidato à reeleição à Prefeitura de Manaus, David Almeida, por propaganda eleitoral...

Precisa fazer o mínimo: Rever condenação sem provar que o processo terminou é inviável

A Justiça do Amazonas decidiu que não é possível revisar uma condenação criminal quando o próprio condenado não apresenta nem os documentos básicos do...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Por derramamento de santinhos, TSE mantém condenação e afasta tese de desconhecimento no Amazonas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, por unanimidade, a condenação do então candidato à reeleição à Prefeitura de Manaus,...

Precisa fazer o mínimo: Rever condenação sem provar que o processo terminou é inviável

A Justiça do Amazonas decidiu que não é possível revisar uma condenação criminal quando o próprio condenado não apresenta...

Justiça mantém liminar contra revisão que poderia atingir aposentadorias e abonos de policiais

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) manteve a liminar que impede a execução de atos administrativos da...

Aplicativos digitais em plano de celular não configuram venda casada sem prova de aumento na fatura

A Primeira Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) manteve sentença que rejeitou pedido de indenização de...