Contrato de imóvel com garantia de alienação não pode ser desfeito por simples desejo do consumidor

Contrato de imóvel com garantia de alienação não pode ser desfeito por simples desejo do consumidor

Havendo de se desfazer o negócio da compra e venda de imóvel adquirido com a garantia da alienação fiduciária ao Banco não se aplica a hipótese as regras do Código de Defesa do Consumidor

Em contrato de compra e venda de imóvel com garantia de alienação fiduciária devidamente registrado em cartório, a desconstituição do ato entabulado entre as partes, na hipótese de inadimplemento do devedor, devidamente constituído em mora, deverá se observar a forma prevista em legislação específica, não cabendo aplicar as diretrizes do Código de Defesa do Consumidor. 

Com essa disposição, o Desembargador Yedo Simões Oliveira, do TJAM reformou sentença  que concluiu que houve mera desistência do autor, por impossibilidade financeira, não por ilícito atribuível à ré, que findou sendo condenada a restituir 90% dos valores despendidos pelo autor, que também foi compensado por danos morais reconhecidos como sofridos. 

A sentença foi reformada. É que nesses casos somente se aplica a Lei 9,514/1997, não cabendo as disposições da lei consumerista, afastando-se, pois, o direito a desistência do negócio. Somente haverá extinção do negociado pelo pagamento ou pela alienação do bem em leilão para a quitação do saldo devedor, sendo inaplicáveis percentuais de retenção e devolução de verbas pagas. 

Para se afastar a aplicação do CDC na hipótese de resolução do contrato de compra de imóvel com cláusula de alienação fiduciária, deve ser verificada a presença de requisitos próprios da lei especial (Lei 9.514/1997): registro do contrato no cartório de imóveis, inadimplemento do devedor e sua constituição em mora.

Processo: 0626629-15.2016.8.04.0001

Leia a ementa:

Apelação Cível / EfeitosRelator(a): Yedo Simões de OliveiraComarca: ManausÓrgão julgador: Segunda Câmara CívelData do julgamento: 27/05/2024Data de publicação: 27/05/2024Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. CIVIL E CONSUMIDOR. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. INCIDÊNCIA DA LEI N.º 9.514/1997. TEMA N.º 1.095/STJ. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA

Leia mais

Dependência econômica não presumida: mãe não comprova requisito e perde pensão por morte

A Justiça Federal no Amazonas julgou improcedente o pedido de pensão por morte formulado por mãe de segurado falecido, ao concluir que não houve...

Isenção indevida: não há dispensa de CIDE na contratação de serviços técnicos no exterior

Justiça mantém cobrança da CIDE sobre serviços contratados no exterior por empresas de Manaus. Com a decisão, se entendeu que a Receita Federal pode...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Projeto estende lei Maria da Penha a casais homoafetivos masculinos

O Projeto de Lei 891/25 estende a lei Maria da Penha a casais homoafetivos masculinos sempre que houver fatores...

Silêncio corporativo marca reação à ordem do STF sobre penduricalhos

A decisão do ministro Flávio Dino, que determinou a revisão e a suspensão de verbas remuneratórias pagas fora do...

Dependência econômica não presumida: mãe não comprova requisito e perde pensão por morte

A Justiça Federal no Amazonas julgou improcedente o pedido de pensão por morte formulado por mãe de segurado falecido,...

Isenção indevida: não há dispensa de CIDE na contratação de serviços técnicos no exterior

Justiça mantém cobrança da CIDE sobre serviços contratados no exterior por empresas de Manaus. Com a decisão, se entendeu...