Banco que quebra a confiança do cliente, ofende sua dignidade moral, registra decisão

Banco que quebra a confiança do cliente, ofende sua dignidade moral, registra decisão

A entrega de qualquer produto ou serviço ao consumidor, sem sua prévia solicitação e anuência, constitui conduta abusiva, vedada expressamente pela legislação específica. Se o banco efetua descontos que são lançados na conta com a contestação do consumidor, cabe à instituição financeira devolver os valores, ainda mais quando no curso do processo levado em juízo, o Banco não provou a existência de contrato ou anuência do cliente para efetuar os débitos. Com esse contexto, o Juiz Jean Carlos Pimentel dos Santos, da Turma Recursal do Amazonas, aceitou um recurso contra o Banco Itaú.

Havendo erro não desculpável nesses descontos, se impõe que a devolução ao cliente seja em dobro. Mas, o desconto indevido da cesta de serviços bancários não configura ocorrência de danos morais por simples reconhecimento do ilícito, devendo a repercussão danosa ser verificada pelo julgador no caso concreto.

No caso examinado a cliente, autora do pedido, por não concordar com a sentença que concluiu pela improcedência dos danos morais, recorreu no sentido desse reconhecimento, e fundamentou que a conduta do Banco violou diversos direitos da personalidade do consumidor, tais como o direito à segurança das operações financeiras, o direito à informação adequada e o direito à confiança nas relações de consumo, corolário do princípio da boa-fé e assim pediu o reconhecimento dos danos imateriais negados em primeiro grau. 

O Relator, ao fundamentar as razões do acolhimento do Recurso, invocou as regras dispostas no Incidente de Demandas Repetitivas, ponderando que o desconto indevido da cesta de serviços bancários não configura ocorrência de danos morais in re ipsa, devendo a repercussão danosa ser verificada pelo julgador no caso concreto. Concluiu que a ‘repercussão danosa foi ponderada” e arbitrou os danos morais firmando-os em R$ 5 mil. 

Leia o Acórdão:

EMENTA:RECURSO INOMINADO.DIREITO DO CONSUMIDOR. TARIFA DE SERVIÇO BANCÁRIO NÃO CONTRATADO OU AUTORIZADO. “CESTA DE SERVIÇOS”OU SIMILAR, SEM ANUÊNCIA DO CONSUMIDOR. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA  N.º0000511-49.8.04.9000. FORMAÇÃO DE TESES COMO PRECEDENTE OBRIGATÓRIO. PRÁTICA ABUSIVA – ART.39, III, DO CDC. CONTRATO NÃO APRESENTADO. DANOS MATERIAIS. REPETIÇÃO DOBRADA DE INDÉBITO, À MÍNGUA DE ERRO JUSTIFICÁVEL DO CREDOR. ART. 42,P. ÚNICO DO CDC. DANO MORAL NÃO OCORRE “IN REIPSA”. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL, CONSOANTE DISCIPLINA O ART. 27 DOCÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. DANO MORAL NÃO OCORRE “IN RE IPSA”. REPERCUSSÃO DANOSA PONDERADA.DANO MORALDEVIDO.QUANTUM PROPORCIONAL E RAZOÁVEL. SENTENÇA REFORMADA.RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 

Leia mais

Péricles Júnior assume a Corregedoria-Geral da Defensoria do Amazonas

Com a definição, o defensor público exercerá mandato de dois anos à frente do órgão responsável pelo acompanhamento e pela fiscalização das atividades funcionais...

Justiça manda restabelecer recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus

Justiça determinou que Sinetram retome em 24 horas após intimação as recargas do Passe Livre Estudantil em Manaus. A decisão foi obtida pela Defensoria...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça do Trabalho mantém justa causa de topógrafo após exame toxicológico apontar uso de cocaína

A Justiça do Trabalho manteve a dispensa por justa causa de um topógrafo que trabalhava em atividades de mineração...

Justiça invalida uso de imóveis públicos para reforçar patrimônio do BRB

A 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal julgou parcialmente procedentes duas ações populares que questionavam a Lei...

Supermercado é condenado por abordagem inadequada em caixa de autoatendimento

A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve a condenação de um supermercado ao pagamento de...

Entidades da indústria e do comércio recorrem ao STF contra fim da 6×1

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ingressaram...