Sem personalidade jurídica própria, cartório não vincula novo titular a CNPJ anterior

Sem personalidade jurídica própria, cartório não vincula novo titular a CNPJ anterior

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu que o novo titular de uma serventia extrajudicial tem direito à obtenção de CNPJ próprio após assumir o cartório por delegação do Poder Público.

A Corte entendeu que não é razoável exigir que o novo delegatário permaneça vinculado ao cadastro utilizado pelo titular anterior, especialmente quando isso pode gerar reflexos administrativos e fiscais decorrentes de fatos alheios à sua gestão.

O caso envolveu uma oficial de registro aprovada em concurso público que buscava a emissão de um novo CNPJ para a serventia assumida. Em primeira instância, o pedido havia sido negado sob o entendimento de que bastaria a alteração do responsável no cadastro já existente perante a Receita Federal.

Ao analisar o recurso, o TRF-1 destacou que os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado por delegação estatal, mas que os cartórios não possuem personalidade jurídica própria. Segundo o colegiado, a atividade é desempenhada diretamente pelo tabelião ou registrador investido na função, o que afasta a ideia de continuidade automática das responsabilidades pessoais entre sucessivos titulares da serventia.

O acórdão também ressaltou que a própria Receita Federal passou a admitir a criação de novos registros no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica para cartórios assumidos por novos delegatários, entendimento consolidado em orientação administrativa e reconhecido pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

Para o Tribunal, permitir que o novo titular exerça a atividade sob identificação cadastral vinculada a outra pessoa física poderia submetê-lo a consequências decorrentes de pendências ou inadimplências atribuídas a terceiros. Com esse fundamento, a sentença foi reformada para assegurar a emissão de novo CNPJ em favor da delegatária, além de reconhecer a inexistência de sucessão automática em relação às obrigações pessoais do antigo titular da serventia.

Processo 0022437-98.2013.4.01.3400

Leia mais

STJ manda soltar jovem preso por tráfico no Amazonas após identificar erro na decisão da Justiça

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a soltura de um jovem de 18 anos que estava preso preventivamente desde janeiro deste ano por...

MPF pede que Justiça barre decreto que reduz proteção da vegetação nativa no Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para pedir que a Justiça Federal suspenda e declare inválido o Decreto Estadual nº 52.216/2025,...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

STJ manda soltar jovem preso por tráfico no Amazonas após identificar erro na decisão da Justiça

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a soltura de um jovem de 18 anos que estava preso preventivamente...

MPF pede que Justiça barre decreto que reduz proteção da vegetação nativa no Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para pedir que a Justiça Federal suspenda e declare inválido...

Banco não pode substituir contrato por documentos produzidos apenas para justificar descontos

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) manteve a condenação de uma instituição financeira ao concluir que o banco...

TJAM reconhece desvio de função e manda indenizar delegado por administrar presos em delegacia

Designado para comandar a unidade policial, o delegado acabou assumindo tarefas que iam além das atribuições próprias do cargo,...