Pai que registrou filho, ainda que em dúvida, não pode revogar o reconhecimento no Amazonas

Pai que registrou filho, ainda que em dúvida, não pode revogar o reconhecimento no Amazonas

O Tribunal do Amazonas fixou que o reconhecimento de filiação, por ser irrevogável, não justificativa o pedido de invalidação do estado de paternidade decorrente de registro civil de nascimento, cuja declaração de paternidade biológica foi do próprio pai.  A denegação se deu em pedido de apelação de sentença que julgou improcedente o pedido de anulação do registro formulado por R.F.P, que não se conformou com a decisão, interpondo o recurso ao TJAM que manteve incólume o entendimento do juízo de primeiro grau. Foi Relator Lafayette Carneiro Vieira Júnior. 

O interessado teve a intenção de ver anulado o Registro de Nascimento do filho, e, por consequência, se ver desobrigado da imposição do pagamento de prestação de alimentos então mantida em prol do menor, daí moveu ação anulatória do registro, pedindo para que seu nome fosse excluído do estado de pai. 

Ocorre que, em primeiro grau de jurisdição, em sentença, a ação foi julgada improcedente e se firmou que não havia motivo para se excluir a paternidade, e, por consequência, haveria de se impor a manutenção do dever de prestar alimentos. Em segundo grau, o julgado rechaçou a apelação e destacou que o reconhecimento de filiação é irrevogável e que ninguém pode vindicar estado contrário ao que resulta do registro de nascimento, exceto se provar erro ou falsidade do registro, o que não foi a hipótese dos autos. 

No que pesasse as dúvidas suscitadas pelo Recorrente, especialmente por ter feito vasectomia enquanto a mãe do “filho” esteve grávida, o julgado deliberou que, ainda com dúvida, o interessado optou em registrar o menor como filho. No sistema jurídico brasileiro, a revogação de registro sobre filiação é restrito às hipóteses de fraude, erro ou vícios de consentimento, e essas situações não atendiam ao caso examinado, merecendo a manutenção do registro. 

O reconhecimento espontâneo de paternidade, ainda que feito por piedade, é irrevogável, mesmo que haja eventual arrependimento posterior.  Esse reconhecimento espontâneo somente pode ser desfeito diante de vício de consentimento. O STJ, inclusive, já decidiu que aquele reconhece voluntariamente a paternidade de uma criança, com a qual não sabia ter vínculo biológico não possui o direito de propor posteriormente uma negatória de paternidade, sem que esteja caracterizado o vício de consentimento. 

Processo nº 000000611-2019.8.04.4801

Leia o acórdão:

Processo nº 0000006-11.2019.8.04.4801Relator: Desembargador Lafayette Carneiro Vieira Júnior EMENTA – APELAÇÃO CÍVEL – DIREITO DE FAMÍLIA – AÇÃO ANULATÓRIA DE REGISTRO DE NASCIMENTO – PATERNIDADE BIOLÓGICA – DÚVIDA EXISTENTE – VASECTOMIA – REQUERENTE QUE AINDA ASSIM OPTOUPOR REGISTRAR REQUERIDO COMO FILHO –INEXISTÊNCIA DE VÍCIO DE CONSENTIMENTO – RECONHECIMENTO IRREVOGÁVEL NOS TERMOS DOCÓDIGO CIVIL – MANUTENÇÃO DA SENTENÇA DEIMPROCEDÊNCIA – RECURSO CONHECIDO E NÃOPROVIDO

 

Leia mais

Sem prova de cancelamento do serviço, consumidor não afasta cobrança de faturas de energia

Uma cobrança de energia elétrica pode continuar sendo exigida mesmo quando o consumidor afirma ter solicitado o cancelamento do serviço. A controvérsia está na...

Contato sexual breve ou limitado com menor de 14 anos não afasta a consumação do estupro

Ministro Reynaldo Soares da Fonseca não conheceu de recurso contra condenação mantida pelo TJAM, que considerou suficiente a prática de ato libidinoso para configurar...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

TSE nega pedido da campanha de Flávio para barrar posts de sindicatos

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou nesta sexta-feira (16) pedido da campanha do...

Paciente consegue na Justiça fornecimento de remédio para pneumonia

A 1ª Câmara Cível manteve a obrigação de um plano de saúde em fornecer medicamento para um paciente de...

Justiça determina cirurgia reparadora das mamas para mulher que passou por bariátrica

Os desembargadores da 6ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (SC) decidiram condenar uma operadora de...

Justiça mantém condenação de academia por lesão causada por equipamento de musculação

A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal do TJDFT manteve condenação da Bluefit Brasília Academias de Ginástica...