Itamaraty alerta para risco de ação militar dos EUA no Brasil após classificação de facções como terroristas

Itamaraty alerta para risco de ação militar dos EUA no Brasil após classificação de facções como terroristas

O Ministério das Relações Exteriores alertou a Câmara dos Deputados para o risco de medidas unilaterais dos Estados Unidos contra o Brasil após a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

A informação consta de respostas enviadas pelo Itamaraty a requerimentos apresentados por deputados federais.

Segundo o órgão, a inclusão de grupos como PCC e Comando Vermelho nessa categoria pode produzir efeitos que vão além de sanções financeiras, migratórias ou penais. O ponto mais sensível é a avaliação de que, em tese, a legislação norte-americana poderia abrir espaço até para o uso de força militar em território brasileiro.

O Itamaraty não afirma que exista uma ameaça concreta ou uma operação em curso. O alerta é diplomático e jurídico: ao tratar facções criminosas como organizações terroristas, os Estados Unidos poderiam ampliar a aplicação de suas leis para além de seu território, com reflexos sobre cidadãos, empresas e instituições brasileiras.

Para o governo brasileiro, há diferença entre crime organizado e terrorismo. A preocupação é que a equiparação das duas categorias crie insegurança jurídica, aumente pressões externas e comprometa a soberania nacional em temas que devem ser enfrentados por meio de cooperação internacional, e não por medidas unilaterais.

As respostas foram enviadas em meio ao avanço do debate nos Estados Unidos sobre o enquadramento de facções latino-americanas como organizações terroristas. No caso brasileiro, o Itamaraty informou que acompanha o tema e manifestou posição contrária a qualquer medida que possa autorizar ações externas sem coordenação com o Brasil.

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