Operação apura infiltração do PCC em órgãos públicos e plano para matar promotor, em SP

Operação apura infiltração do PCC em órgãos públicos e plano para matar promotor, em SP

Uma operação deflagrada nesta terça-feira revelou indícios de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas estatais ligadas à segurança pública e ao sistema de Justiça em São Paulo. Entre os presos estão um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um advogado que atuou como estagiário do Ministério Público paulista.

As prisões temporárias e os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior de São Paulo. A investigação aponta que os suspeitos teriam participado de um esquema que envolvia o vazamento de informações sigilosas, extorsão de investigados e apoio a um plano para assassinar um promotor de Justiça integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

De acordo com os elementos reunidos pelos investigadores, o policial civil preso exercia função de chefia na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas quando ocorreram operações voltadas ao combate de integrantes da facção criminosa. As apurações indicam que ele teria mantido contato com um dos responsáveis pela execução do atentado planejado contra o promotor Amauri Silveira Filho poucos dias antes de uma operação que acabou frustrando a ação criminosa.

Imagens obtidas durante as investigações registraram um encontro entre o policial e o suspeito apontado como executor do plano. A principal linha investigativa busca esclarecer se informações estratégicas e sigilosas foram repassadas ao grupo criminoso.

As apurações também alcançaram um advogado que anteriormente atuou como estagiário em uma promotoria criminal do Ministério Público de São Paulo. Segundo os investigadores, ele teria utilizado sua posição para acessar sistemas internos e bancos de dados com o objetivo de obter informações privilegiadas.

A suspeita é de que esses dados fossem empregados para identificar integrantes da própria organização criminosa com elevado poder econômico. A partir dessas informações, os investigados teriam exigido pagamentos em troca de suposta proteção contra investigações ou medidas repressivas do Estado.

O esquema, segundo a investigação, contaria ainda com o apoio de outros agentes públicos, incluindo um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação por acusação relacionada à extorsão mediante sequestro. Há também indícios de que a estrutura utilizada para a prática dos crimes envolvia recursos de um escritório de advocacia, circunstância que motivou o acompanhamento das diligências pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil.

A operação é resultado do aprofundamento de investigações iniciadas em ações anteriores voltadas ao combate do PCC. Entre elas está a Operação Pronta Resposta, realizada em agosto do ano passado para desarticular o plano de assassinato do promotor do Gaeco, e a Operação Off White, deflagrada posteriormente para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a traficantes apontados como integrantes da cúpula da facção.

Em nota, a Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública informou que as investigações apuram suspeitas de colaboração com organização criminosa, extorsão, lavagem de dinheiro e eventual planejamento de atentado contra agente público. O órgão afirmou ainda que as medidas foram adotadas em conformidade com a legislação e reiterou o compromisso institucional com o combate ao crime organizado e aos desvios de conduta praticados por agentes públicos.

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