TRF3 confirma revisão de pensão especial e indenização a pessoa com síndrome da talidomida

TRF3 confirma revisão de pensão especial e indenização a pessoa com síndrome da talidomida

A Turma Regional de Mato Grosso do Sul, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), garantiu a um homem com síndrome da talidomida revisão da pensão especial e indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil.

Os magistrados consideraram o laudo pericial, que atestou incapacidade parcial e permanente para ocupações que demandem caminhada (deambulação) contínua, postura ortostática (em pé), esforço físico e higiene pessoal.

O autor tem síndrome da talidomida e obteve, na esfera administrativa, pensão especial com a pontuação 1. O benefício é calculado pela multiplicação do número de quesitos que indicam a natureza e o grau de dependência.

“Considerando as conclusões do perito e os critérios de fixação da renda mensal da pensão especial, o autor faz jus à atribuição de três pontos”, observou a relatora do processo, juíza federal convocada Diana Brunstein.

O homem acionou o Judiciário pedindo revisão do benefício e pagamento de indenização por danos morais. Ele argumentou que a incapacidade parcial foi reconhecida somente pelo critério de deambulação.

A 1ª Vara de Coxim julgou o pedido procedente. O INSS recorreu ao TRF3 argumentando ilegitimidade passiva e impossibilidade de cumulação da pensão especial com indenização por dano moral.

A relatora do processo, juíza federal convocada Diana Brunstein, seguiu a Lei nº 12.190/2010 e o Decreto nº 7.235/2010.  Segundo as normas, o INSS é parte legítima para figurar no polo passivo das ações de indenização por dano moral às pessoas com síndrome de talidomida.

De acordo com a magistrada, as reparações assistencial e indenizatória são cumulativas.

“Enquanto a pensão especial busca viabilizar a subsistência digna das pessoas com síndrome da talidomida, a indenização por danos morais fundamenta-se na reparação do sofrimento causado pelas adversidades psíquicas e sociais experimentadas”, concluiu.

A Turma Regional de Mato Grosso do Sul, por unanimidade, negou provimento ao recurso do INSS.

 Talidomida 

A talidomida foi desenvolvida na Alemanha e comercializada a partir de 1957, para tratar náuseas, enjoos e ansiedade, comuns no início da gravidez.

No entanto, foi constatado que o medicamento gerava problemas na formação do feto, em especial o encurtamento de membros.

No Brasil, a Lei nº 7.070/1982 assegurou pensão especial às pessoas com síndrome da talidomida nascidas a partir da utilização do remédio no país. Já a Lei 12.190/2010, conferiu direito à indenização pelo dano moral.

Com informações do TRF3   

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