Discrição violada: Filmagem de paciente em UTI sem consentimento justifica demissão por justa causa

Discrição violada: Filmagem de paciente em UTI sem consentimento justifica demissão por justa causa

A gravação não autorizada de paciente em estado grave, em ambiente hospitalar sensível como a UTI, viola a dignidade da pessoa humana e caracteriza falta grave apta a justificar a rescisão do contrato de trabalho por justa causa. A conduta extrapola o exercício regular da atividade profissional, sobretudo quando existem meios institucionais adequados para registro e comunicação de intercorrências clínicas.

Com esse entendimento, a juíza Maria Rafaela de Castro, da 13ª Vara do Trabalho de Fortaleza, manteve a demissão por justa causa de uma técnica de enfermagem que filmou um paciente em tratamento na UTI do hospital onde trabalhava. O processo tramita sob segredo de Justiça.

O caso

De acordo com os autos, imagens das câmeras de segurança do hospital demonstraram que a profissional utilizou o celular para gravar um paciente vítima de AVC, sem qualquer autorização. Nas imagens, o paciente aparenta desconforto e tenta cobrir o rosto para evitar a filmagem.

Segundo a instituição hospitalar, a técnica teria realizado a gravação com o objetivo de justificar o uso de faixas de contenção. Durante a filmagem, o paciente permaneceu exposto e sujeito ao frio, circunstância considerada agravante. Consta ainda que a empregada possuía histórico funcional com advertências e suspensões por outras infrações disciplinares.

A profissional, que tinha 17 anos de vínculo com a instituição e foi desligada em dezembro de 2024, ajuizou ação trabalhista buscando a reversão da justa causa para dispensa imotivada. Sustentou que sempre exerceu suas funções com dedicação e afirmou não ter sido informada de forma clara sobre os motivos da dispensa.

Fundamentação da decisão

Ao analisar o pedido, a magistrada concluiu que a conduta da técnica de enfermagem foi grave e desproporcional. Para a juíza, as imagens comprovaram que a filmagem causou sofrimento a pessoa em situação de extrema vulnerabilidade, violando deveres éticos elementares da profissão.

Na sentença, a juíza destacou que, diante de eventual intercorrência clínica, a profissional poderia ter acionado o médico de plantão ou a enfermeira-chefe, em vez de realizar registro audiovisual com o próprio celular. Segundo a decisão, o hospital agiu de forma legítima ao exercer seu poder disciplinar e de fiscalização, com o objetivo de assegurar tratamento humanizado e preservar a dignidade dos pacientes.

A magistrada ressaltou que o exercício da atividade na área da saúde impõe deveres reforçados de empatia, cuidado e proteção, especialmente em relação a pacientes que, por seu estado clínico, não têm condições de se defender.

Resultado

Com a manutenção da justa causa, a trabalhadora não fará jus ao levantamento do FGTS nem ao seguro-desemprego, embora tenha sido concedida a gratuidade da Justiça. Cabe recurso ao Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região.

Leia mais

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o golpe. Uma correntista enganada por um...

Licença especial não usufruída por policial da reserva deve ser indenizada em dinheiro

Juíza Etelvina Lobo Braga condenou o Estado do Amazonas a pagar 12 meses de licença e 30 dias de férias; valor será calculado pela...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Porteiro que age com descuido e facilita furto obriga condomínio a indenizar morador

O condomínio sustentou que não poderia ser responsabilizado automaticamente pelo furto: seria necessário demonstrar uma falha de sua parte,...

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o...

Licença especial não usufruída por policial da reserva deve ser indenizada em dinheiro

Juíza Etelvina Lobo Braga condenou o Estado do Amazonas a pagar 12 meses de licença e 30 dias de...

Equiparação da Zona Franca à exportação não dispensa encargos sobre salários

Justiça Federal no Amazonas rejeitou pedido de empresa que buscava aplicar aos empregados em Manaus benefício previsto para trabalhadores...