“12 homens e uma sentença”destaca importância da interpretação dos fatos frente ao tribunal do júri

“12 homens e uma sentença”destaca importância da interpretação dos fatos frente ao tribunal do júri

Há premissas no direito que não sofrem os efeitos do tempo, por se tratarem de princípios inegociáveis. A advocacia, encravada na história como o elo social na busca pela justiça, carrega consigo o peso milenar de interceder a favor de uma interpretação razoável da letra fria da lei. Por isso, não surpreende que um julgamento retratado há 65 anos nas telas do cinema ainda carregue consigo o frescor da contemporaneidade.

O filme “12 homens e uma sentença”, de 1957, traz o julgamento de um réu acusado de matar o pai. Em caso de condenação, a sentença seria a pena de morte. Ao final da discussão na Sala do Júri, a situação se encaminha para esse viés. No entanto, um dos 12 jurados duvida da autoria do crime e pede mais tempo aos colegas.

Ele não descarta dúvidas quanto à inocência, mas relata não ter a certeza necessária para considerar a culpabilidade. A partir de sua exposição, fica clara a necessidade de análise hermenêutica das provas apresentadas até então, com atenção aos depoimentos das testemunhas, às subjetividades da cena do crime e aos detalhes diversos colhidos ao longo das investigações e apresentados no julgamento. O novo cenário vai alterando a percepção dos jurados, com o desvio do foco para as entrelinhas do processo, evidenciando a interpretação como moeda forte na defesa de um réu.

A obra do diretor Sidney Lumet foi escolhida pelo diretor-geral da Escola Superior de Advocacia (ESA) Nacional, Ronnie Preuss Duarte, como dica de filme para ampliar a compreensão sobre o universo jurídico. O site da OAB Nacional publica indicações culturais para fomentar esse debate.

“O filme é antigo, mas demonstra algo peculiar à atuação dos advogados: a interpretação dos fatos. Além disso, o enredo é atual porque ressalta a importância do devido processo legal, destacando implicitamente os riscos das ‘certezas’ majoritárias sobre os juízos de culpa. Ou seja: não importa a percepção da maioria, ou da opinião pública. A verdade é a que resulta da análise responsável e comprometida das provas existentes nos autos”, comenta Duarte.

A história se desenrola dentro de uma sala de audiências, em Nova York, nos Estados Unidos. No início do filme, o juiz ordena que os jurados só condenem ou absolvam o acusado se chegarem a uma decisão unânime. Assim, o espectador não vê a vida pregressa do réu, pistas do crime ou o julgamento em si. Tampouco são oferecidos flashbacks como recurso dramático. Para nós, do outro lado da tela, o dilema começa com a discussão referente ao veredito.

Ao defender, sozinho frente a 11 colegas, a dúvida como importante elemento para a decisão, o jurado, interpretado pelo ator Henry Fonda, demonstra sensibilidade com a apresentação de provas que tinham o potencial de carregarem em si diferentes vieses. E é esse caminho que passa a ser explorado.

Em resumo, o filme “12 homens e uma sentença” ensina que qualquer narrativa inicial deve trazer a dúvida de forma inerente, pois ela traz consigo a propriedade de derrubar certezas vacilantes ou, no outro extremo, de decantar e reforçar versões que se consolidam pelas evidências. Com informações da OAB Nacional

Leia mais

STF concede liminar a candidato para assegurar bônus regional em seleção da UFAM

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar a um estudante para assegurar a aplicação de bônus regional de 20% em sua...

Decisão judicial precária revogada obriga servidor a devolver valores recebidos

Valores recebidos por decisão judicial provisória devem ser devolvidos após revogação, reafirma STF. Valores pagos a servidor público por força de decisão judicial provisória —...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Nome negativado após pagamento gera indenização, decide TJMT

Uma dívida quitada deveria encerrar qualquer restrição ao nome do consumidor. Mas, quando isso não acontece, pode gerar indenização....

TSE publica acórdão que condenou Castro à inelegibilidade até 2030

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou, na noite desta quinta-feira (23), o acórdão do julgamento que condenou o ex-governador...

Cliente que pagou por mesa de madeira e não recebeu será indenizado em danos materiais e morais

O 1º Juizado Especial Cível, Criminal e da Fazenda Pública da Comarca de Parnamirim condenou um marceneiro ao pagamento...

STF tem maioria para manter prisão de ex-presidente do BRB

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta sexta-feira (24) maioria de votos para manter a decisão...