STF articula regra de transição para adequação de penduricalhos ao teto constitucional

STF articula regra de transição para adequação de penduricalhos ao teto constitucional

Às vésperas do julgamento que pode consolidar a suspensão nacional de verbas remuneratórias pagas fora do teto constitucional, o Supremo Tribunal Federal iniciou tratativas com a cúpula do Congresso Nacional para estruturar uma regra de transição voltada à adequação progressiva dos chamados “penduricalhos”.

A articulação foi conduzida pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em reunião com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, no contexto da decisão liminar proferida pelo ministro Flávio Dino, que determinou a suspensão do pagamento dessas parcelas em todos os níveis da federação e fixou prazo de 60 dias para que o Legislativo edite norma disciplinando a matéria.

Segundo encaminhamento divulgado após o encontro, a proposta deverá ser construída por grupo de trabalho interinstitucional, com participação dos Poderes Executivo e Legislativo, e poderá ser absorvida no âmbito de eventual reforma administrativa.

A decisão de Dino também determinou que chefes dos Poderes e órgãos autônomos detalhem as verbas atualmente pagas fora do teto, com indicação do fundamento legal, critérios de cálculo e valores envolvidos, além de vedar a criação de novos instrumentos normativos que ampliem esse tipo de vantagem.

Em decisão complementar, o relator advertiu que, diante de eventual omissão legislativa, poderá caber ao próprio Supremo Tribunal Federal examinar a fixação de regime transitório para a matéria. Em linha semelhante, o ministro Gilmar Mendes suspendeu dispositivos de leis estaduais que autorizavam pagamentos dessa natureza a membros do Judiciário e do Ministério Público sem previsão em norma nacional.

A expectativa no Tribunal é de que o plenário referende a liminar no julgamento previsto para esta quarta-feira (25), conferindo tratamento uniforme à matéria e reduzindo a fragmentação normativa que hoje sustenta regimes remuneratórios distintos entre os entes federativos.

Para quem acompanha esse tema,  a pergunta que se precisa responder não é apenas se o teto será reafirmado, mas qual será o custo político e jurídico da transição.

Se o Congresso não legislar, o próprio Supremo já sinalizou que poderá assumir a tarefa. E, nesse cenário, a parede de concreto se forma: acabou o debate sobre o mérito — resta discutir apenas como cumprir.

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