Contrato que prevê pagamento avulso obriga devedor a quitar parcelas não descontadas em folha

Contrato que prevê pagamento avulso obriga devedor a quitar parcelas não descontadas em folha

A Justiça Federal do Amazonas julgou improcedente a ação de um servidor público que buscava responsabilizar a Caixa Econômica Federal pela interrupção dos descontos de um empréstimo consignado e pela posterior incorporação da dívida a um novo contrato.

De acordo com a sentença o próprio contrato previa que, na ausência do desconto em folha, caberia ao mutuário efetuar o pagamento das parcelas diretamente ao banco. 

Segundo os autos, o autor contratou empréstimo consignado com parcelas previstas para desconto automático em sua remuneração. Após o primeiro desconto, as prestações seguintes deixaram de ser debitadas em folha. Anos depois, o saldo devedor remanescente foi incorporado a um novo contrato de empréstimo firmado com a instituição financeira.

Na ação judicial, o servidor sustentou que não foi informado sobre a interrupção dos descontos nem sobre a formação da suposta inadimplência. Alegou ainda que a incorporação da dívida ao novo contrato reduziu significativamente o valor efetivamente recebido na operação de refinanciamento e aumentou o valor das prestações, tornando a obrigação excessivamente onerosa.

Ao analisar o caso, o magistrado observou que o contrato original continha cláusula expressa determinando que, caso alguma parcela não fosse descontada da remuneração, o pagamento deveria ser realizado diretamente pelo contratante. Dessa forma, concluiu que a responsabilidade pelo adimplemento permanecia com o mutuário, mesmo diante da ausência do desconto automático.

A sentença também destacou que o contrato firmado posteriormente previa de forma expressa a incorporação do saldo devedor da operação anterior, circunstância que demonstraria a ciência do contratante sobre os termos da renegociação. Para o juízo, o refinanciamento de dívida anterior associado à concessão de novo crédito constitui prática comum no mercado financeiro quando aceita pelas partes.

Com esses fundamentos, a Justiça Federal rejeitou os pedidos de indenização e de responsabilização da instituição financeira, entendendo não haver falha na prestação do serviço nem ilegalidade na incorporação do débito ao novo contrato. A ação foi julgada improcedente, com resolução do mérito.

Processo 1005339-81.2025.4.01.3200

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