Brasileiras continuam presas por tráfico na Alemanha mesmo após PF inocentá-las

Brasileiras continuam presas por tráfico na Alemanha mesmo após PF inocentá-las

Um casal de brasileiras está detido há mais de um mês em Frankfurt, na Alemanha, acusado de transportar 40 quilos de cocaína em malas que, segundo a Polícia Federal, não eram de sua propriedade.

A empresária Kátyna Baía, de 44 anos, e sua mulher, a veterinária Jeanne Paolini, de 40, ambas goianas, viajaram da capital de seu estado para a Europa no dia 4 de março. Elas passariam 20 dias entre Alemanha, Bélgica e Holanda para comemorar a conclusão da residência veterinária de Jeanne na Universidade de Brasília (UnB).

Ao chegarem a Frankfurt, onde fariam uma escala para Berlim, foram presas e permaneceram em celas do próprio aeroporto. No dia seguinte, foram transferidas em prisão preventiva para o presídio feminino da cidade. Na última quarta-feira (5/4), uma audiência de custódia manteve a prisão das brasileiras. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Troca de malas
No momento da prisão, a polícia alemã mostrou as malas apreendidas com a droga e as etiquetas com os nomes das goianas. De acordo com a advogada Luna Provazio, responsável pela defesa do casal, elas mostraram provas de que as malas despachadas no embarque pesavam menos de 20 quilos, quantia encontrada pelas autoridades em cada uma das bagagens. Os policiais, porém, alegaram que essa era apenas uma das provas.

Imagens anexadas ao processo mostram que a mala despachada por Kátyna é preta, decorada com alto-relevo geométrico, enquanto a de Jeanne é rosa claro, com zíper da mesma cor. Já uma das bagagens apresentadas pela polícia em Frankfurt é cinza e sem relevo decorativo, enquanto a outra tem um tom de rosa metálico, com zíper preto.

A defesa também incluiu imagens de um funcionário do aeroporto de Guarulhos mexendo nas etiquetas das duas malas. Ele seria contratado de uma empresa terceirizada que atuava no local e foi preso na última terça-feira (4/4) pela PF.

A corporação também efetuou a prisão de outros cinco suspeitos. A investigação indica que narcotraficantes têm a prática de retirar aleatoriamente etiquetas de bagagens despachadas e colocá-las em malas que contêm drogas.

O inquérito apontou a inocência de Kátyna e Jeanne e ressaltou que elas não têm o perfil de “mulas” do tráfico. Os resultados foram encaminhados para a Justiça alemã na última quinta-feira (6/4), mas as informações ainda não foram examinadas, pois o feriado de Páscoa na Alemanha se estende até esta segunda (10/4).

Arbitrariedades
Segundo Luna, as goianas não tiveram qualquer contato com as bagagens após entregá-las à companhia aérea em Goiânia. Essas malas ainda não foram encontradas.

Conforme seus relatos, elas passaram as primeiras 24 horas no aeroporto de Frankfurt sem receber comida e sofrendo com o frio. A temperatura chegou a -3° C naquele dia, mas as brasileiras não tiveram acesso às roupas de inverno que tinham levado em suas bagagens de mão.

Desde sua transferência para o presídio local, elas estão em celas separadas e continuam sem seus pertences. Kátyna não conseguiu acesso aos seus remédios de uso contínuo para dores crônicas e ansiedade.

Burocracia
A PF já havia encaminhado aos alemães uma parte das imagens e do inquérito em meados de março. Porém, na audiência de custódia, a soltura das goianas foi condicionada ao compartilhamento e à analise integral de todas as informações das autoridades brasileiras.

A Justiça alemã pediu que o envio acontecesse por meio dos Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, já que anteriormente os documentos foram entregues pela PF. O pedido foi atendido na última quinta (6/4). A expectativa da defesa é que a análise das provas seja feita a partir desta terça-feira (11/4).

 

Com informações do Conjur

 

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