Banco Central decreta liquidação extrajudicial de DTVM ligada ao Banco Master

Banco Central decreta liquidação extrajudicial de DTVM ligada ao Banco Master

O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Investimentos DTVM. A medida foi adotada, segundo a autarquia, em razão de infrações às normas que disciplinam a atividade da instituição no mercado financeiro.

A decisão foi assinada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que também comunicou o Ministério Público Federal acerca de operações consideradas atípicas envolvendo fundos da Reag, realizadas a partir de empréstimos concedidos pelo Banco Master, liquidado em novembro do ano passado.

No ato, o Banco Central nomeou como liquidante a empresa APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda., tendo como responsável técnico Antonio Pereira de Souza, que já atuou em outros processos de liquidação no sistema financeiro, como no caso do Banco Bamerindus.

A liquidação ocorre em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras bilionárias envolvendo fundos administrados pela Reag e operações com o Banco Master. Na segunda fase da operação, deflagrada nesta semana, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, inclusive em endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo as autoridades, há suspeitas de que fundos administrados pela Reag tenham sido utilizados para operações fraudulentas e eventual desvio de recursos do patrimônio do banco, além de possíveis práticas de lavagem de dinheiro. Documentos apreendidos pela Polícia Federal na residência de Vorcaro indicariam movimentações financeiras envolvendo esses fundos.

A Reag, por sua vez, afirma ser vítima da operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado para apurar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. O Ministério Público de São Paulo sustenta que a atuação da gestora teria ido além da simples administração de fundos, tese que a empresa nega. Em manifestações públicas anteriores, a Reag classificou como infundadas as acusações que associam seus dirigentes a práticas ilícitas.

As investigações relacionadas ao Banco Master tramitam no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Os procedimentos seguem sob sigilo.

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