Justiça mantém condenação de réu por fraude na venda de viagens

Justiça mantém condenação de réu por fraude na venda de viagens

A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) manteve a condenação de uma mulher que utilizou a estrutura de uma agência de viagens para aplicar golpes na venda de pacotes turísticos e hospedagens a 14 consumidores. Dessa forma, a ré deverá cumprir três anos, três meses e 13 dias de reclusão, em regime aberto.

Além da condenação privativa de liberdade, a ré deverá pagar indenizações às vítimas, que somam R$ 70.406,80. Na sentença da 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco, está descrita a quantia que cada uma das pessoas lesadas pelo crime deverá receber.

Reavaliação da dosimetria

Conforme os autos, a fraude foi realizada por meio de uma empresa de passagens aéreas: os clientes pagavam pelos bilhetes, mas a mulher não emitia os localizadores ou realizava as reservas solicitadas. Por isso, ela foi sentenciada em primeira instância a uma pena de cinco anos, nove meses e 13 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 25 dias-multa.

No entanto, a ré entrou com recurso pedindo a reforma da dosimetria da pena, para que fossem reavaliadas como neutras as circunstâncias judiciais de culpabilidade, conduta social, personalidade, circunstâncias e consequências do crime.

Na Câmara Criminal, a sentença foi reformada apenas para neutralizar a conduta social e a personalidade, mantendo a negativação da pena por conta da culpabilidade, das circunstâncias do crime, das consequências do delito e da continuidade delitiva.

Voto do relator

O relator do caso foi o desembargador Francisco Djalma, que registrou que houve premeditação no crime, destacando que a ré utilizou a estrutura empresarial para enganar os consumidores. “Assim sendo, inexiste ilegalidade a ser corrigida no entendimento do magistrado de primeiro grau, que considerou elevada a culpabilidade da apelante que se utilizou da estrutura empresarial para ludibriar seus clientes, de forma planejada e reiterada”, escreveu Djalma.

Já quanto à conduta social e à personalidade, o magistrado votou por alterar e neutralizar, explicando que seriam necessários mais elementos concretos relacionados ao comportamento da ré e a demonstração de traços psíquicos ou morais do seu caráter.

“A conduta social não pode ser negativada com fundamento em circunstâncias inerentes ao próprio fato criminoso, exigindo-se elementos concretos relacionados ao comportamento da agente no meio familiar, comunitário e profissional. A personalidade do agente demanda demonstração de traços psíquicos ou morais reveladores de desvio acentuado de caráter, não bastando referências genéricas à desonestidade ou ao oportunismo decorrentes da própria prática do estelionato”, registrou o relator.

Apelação Criminal nº 0002235-93.2024.8.01.0001

Com informações do TJ-AC

Leia mais

Uso de assinatura digital privada em procuração pode levar à extinção imediata de processo na Justiça

Uma ação previdenciária ajuizada na Justiça Federal do Amazonas foi extinta sem análise do mérito após o juízo considerar inválida a procuração apresentada pela...

Pensão alimentícia não pode ser tributada pelo Imposto de Renda, reitera Justiça

A Justiça Federal em Manaus voltou a aplicar o entendimento do Supremo Tribunal Federal de que valores recebidos a título de pensão alimentícia decorrentes...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Comissão avalia políticas públicas de acolhimento e proteção social de mães atípicas

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados promove audiência pública na sexta-feira (19) sobre...

Comissão aprova proposta de porte de arma para corretores de imóveis

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que autoriza o porte de arma...

Entra em vigor lei que regulamenta a profissão de arteterapeuta

Está em vigor a lei que regulamenta a profissão de arteterapeuta. A Lei 15.435/26 foi sancionada com veto parcial...

Nova lei cria política nacional para estudantes com altas habilidades

Foi sancionada, com vetos, a Lei 15.436/26, que institui a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação...