CNMP aprova medida para reforçar atuação do MP contra violência política de gênero

CNMP aprova medida para reforçar atuação do MP contra violência política de gênero

O Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovou, por unanimidade, nessa terça-feira, 12 de maio, durante a 7ª Sessão Ordinária, a proposta de recomendação para fortalecer a atuação dos Ministérios Públicos da União e dos Estados nos casos de violência política de gênero. A medida busca consolidar uma cultura jurídica que reconheça e garanta os direitos das mulheres nos espaços relacionados ao exercício de direitos políticos e de funções públicas.

A proposta original foi apresentada, em 2025, pelo então corregedor nacional do Ministério Público, Ângelo Fabiano Farias. A matéria foi relatada pela conselheira Karen Luise de Souza (foto), que apresentou substitutivo aprovado pelo colegiado.

Durante a tramitação, foram expedidos ofícios aos chefes do Ministério Público da União e dos Estados, aos presidentes de associações do Ministério Público, às entidades nacionais representativas de procuradores-gerais e corregedores-gerais e às associações nacionais do Ministério Público para manifestação sobre a proposta. As contribuições recebidas foram incorporadas ao texto substitutivo aprovado.

Diretrizes da recomendação

A recomendação aprovada estabelece diretrizes para qualificar a atuação do Ministério Público em casos de violência política de gênero, com foco na prevenção, no enfrentamento e na responsabilização dessas práticas. O texto também prevê medidas voltadas à proteção integral das vítimas, à promoção do acesso à justiça e ao fortalecimento da atuação articulada entre os diferentes ramos e unidades do Ministério Público.

Entre as medidas previstas estão o fortalecimento de fluxos institucionais de atendimento, a produção e o monitoramento de dados, a capacitação contínua de membros e servidores e a realização de campanhas institucionais permanentes sobre violência política de gênero e participação feminina na política.

Violência política de gênero

No voto apresentado na sessão dessa terça-feira, 12 de maio, a relatora destacou que a violência política de gênero se manifesta de diferentes formas, incluindo ameaças, perseguições, intimidações, assédio moral e sexual, campanhas de difamação, ataques misóginos e racistas, violência digital, desinformação e práticas de silenciamento e obstrução da atuação política de mulheres. Segundo o texto, essas práticas têm como objetivo restringir, deslegitimar ou impedir a participação feminina nos espaços de poder e decisão.

A conselheira também ressaltou que a violência política não atinge apenas mulheres candidatas ou eleitas, mas todas as envolvidas no processo eleitoral, incluindo apoiadoras e participantes de campanhas.

O documento aponta ainda a maior vulnerabilidade enfrentada por mulheres negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIA+ e mulheres com deficiência, em razão da sobreposição de discriminações e barreiras estruturais ao exercício dos direitos políticos.

Dados citados no voto, com base em pesquisa divulgada pelo Instituto Marielle Franco, mostram que, entre junho de 2021 e julho de 2025, 69% dos casos monitorados de violência política na internet envolveram mulheres pretas; 18%, mulheres pardas; e 10%, mulheres brancas. O levantamento também aponta que 71% das vítimas eram parlamentares em exercício e 22%, candidatas.

Ao analisar os dados, a relatora afirma que a violência política de gênero constitui fenômeno estrutural, marcado por seletividade e reprodução de desigualdades, funcionando como mecanismo de silenciamento, intimidação e restrição do exercício dos direitos políticos, especialmente contra mulheres em situação de hipervulnerabilidade interseccional.

Próximo passo

A proposição aprovada seguirá para a Comissão de Acompanhamento Legislativo e Jurisprudência (Calj), que, se entender cabível, apresentará redação final da proposta. Então, o texto será apresentado na sessão plenária seguinte para homologação. Após, a resolução será publicada no Diário Eletrônico do CNMP e entrará em vigor.

Leia mais

Atraso no pagamento da locação não autoriza bloqueio remoto de veículo; medida gera dano moral

A Justiça do Amazonas decidiu que o atraso no pagamento de contrato de locação de veículo não autoriza a empresa proprietária a promover o...

PGE se manifesta sobre recurso contra cassação de vereador em Manaus e aponta baixa chance de êxito

A Procuradoria Geral Eleitoral considera que o Recurso Especial de Elan Alencar enfrenta obstáculos para prosperar no TSE. Segundo o MP, a cassação decorrente...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Questão contestada em concurso do MPSP ganha novo debate após decisão do STF sobre Lei Maria da Penha

Uma decisão tomada nesta quarta-feira (19) pelo Supremo Tribunal Federal acrescentou um novo elemento a uma controvérsia surgida no...

Justiça suspende demissões em massa de trabalhadores das Casas Bahia

A Justiça do Trabalho decidiu suspender as demissões em massa que foram efetivadas pelas Casas Bahia em todo o...

Rescisão indireta não impede estabilidade de gestante, decide TRT-MG

A Justiça do Trabalho reconheceu o direito de uma empregada à indenização substitutiva da estabilidade provisória prevista para a...

STF decide ampliar alcance da Lei da Maria da Penha

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (19) ampliar o alcance da aplicação da Lei Maria da Penha,...