TSE julga se filho vereador pode suceder pai cassado no cargo de prefeito

TSE julga se filho vereador pode suceder pai cassado no cargo de prefeito

O Tribunal Superior Eleitoral começou a decidir, nesta quinta-feira (21/9), se a causa de inelegibilidade reflexa por parentesco incide no caso do filho vereador que é eleito prefeito em eleições suplementares para suceder no cargo o próprio pai, que fora cassado.

Esse específico cenário surgiu em Ribeirão Pires (SP). Em 2020, a cidade elegeu Clovis Volpi (PL) como prefeito e seu filho, Guto Volpi (PL), como vereador. Clovis acabou cassado em setembro de 2021 com base no artigo 1º, inciso I, alínea “g” da Lei Complementar 64/1990.

Isso porque Clovis, que fora prefeito de Ribeirão Pires em dois mandatos consecutivos, teve as contas de 2012 rejeitadas pelo Tribunal de Contas de São Paulo, o que gerou sua inelegibilidade. Com a cassação, o município teria de passar por eleições suplementares.

O cargo vago de prefeito passou a ser exercido pelo vereador presidente da Câmara Municipal: Guto Volpi. Ele se candidatou e, em dezembro de 2022, foi eleito prefeito para suceder o pai. O registro da candidatura foi impugnado pelo Podemos de Ribeirão Pires.

A legenda afirma que Guto estaria inelegível com base no artigo 14, parágrafo 7º da Constituição Federal, a regra já muitas vezes enfrentada pelo TSE e que tem como objetivo impedir que a perpetuação de clãs familiares em cargos políticos.

A norma diz que são inelegíveis os parentes consanguíneos do prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

Por um lado, o pai de Guto Volpi era prefeito dentro dos seis meses anteriores às eleições suplementares. Ele deixou o cargo em setembro de 2022 e seu filho foi eleito para seu lugar apenas três meses depois, em dezembro.

Por outro lado, Guto Volpi já exercia o mandato eletivo de prefeito, ainda que de forma interina, já que substituiu o pai na chefia do Executivo por ter sido eleito presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Pires.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo afastou a inelegibilidade. Relator no TSE, o ministro Floriano de Azevedo Marques propôs manter a conclusão. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes.

Para o relator, a situação não causa ofensa aos bens jurídicos tutelados pela norma do artigo 14, parágrafo 7º da Constituição, pois a candidatura de Guto Volpi não importou em uma extensão indevida do grupo familiar no poder.

“O mandato que, em tese, poderia ser disputado pelo pai acabou circunstancialmente disputado pelo filho não na condição de filho eleito pelo pai como seu sucessor, mas na condição de exercente da chefia do Executivo pela circunstância de ser o presidente da Câmara”, explicou.

Ele acrescentou que o afastamento de Clovis Volpi e a designação de novas eleições decorreram de eventos autônomos que não dependeram da vontade do grupo familiar. “Não há a censurada perpetuação do grupo familiar do poder”, resumiu.

REspe 0600081-32.2022.6.26.0183

Com informações do Conjur

Leia mais

Uso de assinatura digital privada em procuração pode levar à extinção imediata de processo na Justiça

Uma ação previdenciária ajuizada na Justiça Federal do Amazonas foi extinta sem análise do mérito após o juízo considerar inválida a procuração apresentada pela...

Pensão alimentícia não pode ser tributada pelo Imposto de Renda, reitera Justiça

A Justiça Federal em Manaus voltou a aplicar o entendimento do Supremo Tribunal Federal de que valores recebidos a título de pensão alimentícia decorrentes...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Comissão avalia políticas públicas de acolhimento e proteção social de mães atípicas

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados promove audiência pública na sexta-feira (19) sobre...

Comissão aprova proposta de porte de arma para corretores de imóveis

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que autoriza o porte de arma...

Entra em vigor lei que regulamenta a profissão de arteterapeuta

Está em vigor a lei que regulamenta a profissão de arteterapeuta. A Lei 15.435/26 foi sancionada com veto parcial...

Nova lei cria política nacional para estudantes com altas habilidades

Foi sancionada, com vetos, a Lei 15.436/26, que institui a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação...