Receptação é configurada por ter comerciante agido com culpa, diz sentença no Amazonas

Receptação é configurada por ter comerciante agido com culpa, diz sentença no Amazonas

Estando o fato narrado na denúncia o juiz pode dar nova definição jurídica dos fatos, por expressa permissão legal, uma vez que o réu se defende dos fatos narrados na denúncia e não da capitulação penal imputada pelo Promotor de Justiça. Desta forma, a magistrada Suzi Irlanda Araújo Granja da Silva, da 2ª Vara Criminal de Manaus, reconheceu que o comerciante Adriano Carmo Nogueira, embora tenha adquirido mercadorias de gêneros alimentícios provenientes de furto, julgou procedente a ação, mas reconheceu que o acusado não tinha ciência que a mercadoria era furtada.

Para a magistrada o acusado não sabia que estava adquirindo de outro comerciante mercadorias que eram produto de crime. O réu confessara que já havia adquirido outras mercadorias deste mesmo comerciante e que ele lhe apresentava notas fiscais, mas que nem sempre ele mostrava nota fiscal. 

Nos autos restou evidenciado que não houve intenção do agente em adquirir mercadorias produtos de crime. O revendedor era conhecido de outros comerciantes, e vendia por um melhor preço, revendendo assim, para muitos pequenos comerciantes da região. Mas a versão do acusado não foi suficiente para afastar a condenação.

O comprador deve presumir a origem criminosa de produtos muito mais baratos. No caso, a sentença desclassificou o crime de receptação qualificado pelo exercício da atividade comercial para o de receptação culposa, porque houve um juízo de certeza acerca da receptação, porém, não na modalidade descrita na denúncia, o que impôs a desclassificação para receptação culposa.

Processo nº 0619066-96.2018.8.04.0001.

Leia a sentença:

Processo 0619066-96.2018.8.04.0001 – Ação Penal – Procedimento.  Ordinário – Receptação Qualifi cada – RÉU: Adriano Carmo Nogueira – II Dispositivo Decisão. Manifestamente comprovadas, portanto, a  materialidade e a autoria do delito sob exame, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE os pedidos formulados na Denúncia, ao passo que CONDENO ADRIANO CARMO NOGUEIRA, já qualifi cado nos autos, como incurso nas penas do artigo 180 §3º do Código Pena

Leia mais

Não é só a reincidência: maus antecedentes também impedem o tráfico privilegiado

Ao negar o recurso, o relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, esclareceu que a inexistência de reincidência não significa, automaticamente, que o condenado preencha os...

STF cobra do Amazonas plano mais detalhado para acelerar regularização ambiental de imóveis rurais

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Estado do Amazonas apresente um plano mais completo para acelerar a análise dos Cadastros Ambientais Rurais...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

STJ: Pagamento da dívida antes da citação não afasta honorários em execução fiscal

No julgamento do Tema 1.413, sob o rito dos recursos repetitivos, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça...

Justiça condena por comportamento gordofóbico e sexista

Decisão proferida na 2ª Vara do Trabalho de Barueri-SP condenou empresa a indenizar em cinco vezes o último salário...

Justiça mantém bloqueio de motorista de aplicativo e afasta pedido de indenização

A 4ª Turma Recursal Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) manteve a desativação da...

Justiça reconhece fraude em linha telefônica e condena operadora a indenizar cliente

O 8º Juizado Especial Cível da Comarca de Natal reconheceu a inexistência de relação contratual entre uma consumidora e...