O controle da Amazonas Enegia e o risco de colapso na distribuição dos serviços ainda em xeque

O controle da Amazonas Enegia e o risco de colapso na distribuição dos serviços ainda em xeque

A delicada situação de funcionamento da Amazonas Energia que se expõe à vista de todos se permeia entre o conflito judicial e o administrativo. A medida provisória 1232, do Governo Federal, publicada aos 13 de junho determinou a transferência de controle da concessionária e estabeleceu regras para essa transferência. De então, a questão se encontra em impasse que exige que chegue ao fim, em especial para não comprometer a distribuição de enegia elétrica no Estado do Amazonas. 

A situação é tão delicada que o ministro Antônio Silveira, das Minas e Energia já chegou a afirmar que se caso uma solução não seja alcançada em tempo, o fornecimento de energia na região corre sério risco de desestabilização, o que poderia prejudicar milhões de consumidores e aumentar a conta de consumo. Isso porque a própria medida provisória do Governo tem prazo de vigência e está chegando no fim desse prazo sem que o Congresso possa convalidá-la por ameaça de caducidade. 

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na terça-feira (1º) um plano para a transferência do controle societário da Amazonas Energia para a Âmbar Energia, em sintonia com a recomendação técnica do  órgão regulador.

No entanto, esta proposta difere do plano original apresentado pela Amazonas Energia, o que gerou forte resistência por parte da concessionária. A distribuidora amazonense rejeitou o plano aprovado pela agência, argumentando que os termos propostos importavam perdas adicionais significativas  e que a Aneel descumpria a Medida Provisória 1232, que estabelece disposições regulatórias para o setor 

Enquanto isso, a Âmbar Energia, controlada pela holding J&F dos irmãos Wesley e Joesley Batista, apresentou uma nova proposta para adquirir o controle afiliado da distribuidora. A Âmbar se compromete a realizar um transporte imediato de R$ 6,5 bilhões ainda este ano, com o objetivo de reduzir a dívida da Amazonas Energia, que ultrapassa os R$ 10 bilhões, e gerar menor impacto aos consumidores.

A nova proposta da Âmbar prevê uma redução dos custos regulatórios para os consumidores, estimada agora em R$ 14 bilhões ao longo de 15 anos, em comparação aos R$ 16 bilhões inicialmente sugeridos pela Aneel. Ainda assim, o valor supera os R$ 8 bilhões calculados como suficientes pela agência. A Âmbar também ajustou o prazo para a partilha de ganhos de eficiência com os consumidores, que passaria a ocorrer a partir do sexto ano de concessão, e não mais do décimo primeiro, como previsto inicialmente.

A situação permanece delicada, com a Amazonas Energia resistindo à proposta aprovada pela Aneel e a Âmbar buscando consolidar seu controle acionário sobre a entrega. O risco de um colapso energético no Amazonas continua a preocupar autoridades e o mercado, porém, principalmente, os consumidores locais.  

De acordo com a Âmbar a proposta apresentada é o “caminho mais viável” para evitar o agravamento da insegurança energética para os consumidores do Amazonas e o acúmulo de prejuízos para a União com a situação da concessionária.

Leia mais

Promulgação de lei impede uso de mandado de segurança para barrar processo legislativo, decide TJAM

As Câmaras Reunidas do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) fixaram uma importante tese sobre os limites do controle judicial do processo legislativo por...

Nova tese do STJ sobre notificação eletrônica de negativação leva processos a reexame no Amazonas

Uma mudança no entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a forma de avisar consumidores antes da negativação do nome poderá provocar o...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

STF conclui julgamento dos penduricalhos e abre caminho para reforma do sistema remuneratório

Julgamento dos embargos consolida critérios para verbas indenizatórias e transfere ao CNJ e ao CNMP a tarefa de estruturar...

Homem é condenado por maus-tratos contra cães em canil clandestino

A 14ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve, em parte, decisão da 1ª...

Trama armada entre comerciante e falso advogado lesa idosas e termina em condenação

A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) confirmou a condenação do dono de uma...

Mulher é condenada por matar jovem que tentava impedir ataque com facão

O Tribunal do Júri realizado na última quinta-feira, 25 de junho, na comarca de Xanxerê, condenou uma mulher a...