Instauração de CPI sem prova de direito líquido e certo não é admitida em mandado de segurança

Instauração de CPI sem prova de direito líquido e certo não é admitida em mandado de segurança

O Desembargador Délcio Luís Santos, do Tribunal de Justiça, negou a Rodrigo Canaã, pedido, via mandado de segurança, de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito contra Arthur Paulain Gomes, Presidente da Câmara Municipal de Nhamundá/Amazonas, 2017/2020. A ação se fundamentou que havia interesse publico e direito líquido e certo do impetrante de obter providências do poder legislativo daquele município para averiguar irregularidades ante o Instituto Municipal de Pensão e Aposentadoria (IMPAN), de Nhamundá. O impetrante, que foi vereador entre 2017/2020, narrou no pedido que havia contra o Instituto a necessidade de se apurar situações que comprometiam a transparência da instituição. Na decisão, o relator concluiu não haver direito líquido e certo que pudesse ser atendido. A ação foi proposta em 2019, com denegação de liminar naquele ano, denegando-se, em sessão colegiado e em análise de mérito a improcedência do pedido. 

O escopo do mandado de segurança impetrado traduziu que houve ato ilegal e abusivo atribuído ao Vereador Arthur Paulain Gomes que não havia instaurado Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar supostos rumores de má gestão do Instituto de Pensão e Aposentadoria do Município de Nhamundá, o que comprometeria a transparência da administração desse instituto. 

Noticias de concessão de benefícios previdenciários irregulares estiveram na pauta das irregularidades narradas pelo impetrante. Assim, teria cumprido com as determinações constitucionais sobre a instauração de uma CPI- Comissão Parlamentar de Inquérito, com objeto, finalidade e propósito e o mínimo de assinaturas coletados. 

O Acórdão, ao negar o pedido, observou que os fatos narrados no requerimento, embora relevantes, foram genéricos, não se especificando ou indicando fatos concretos. Direito líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua existência, delimitado na sua extensão e apto a ser exercitado no momento de sua impetração, o que não corresponderia ao caso concreto. Ademais, fatos não comprovados de plano não podem ser apreciados em sede de mandado de segurança, por que o rito do processo não admite instrução probatória. Nessas circunstâncias, foi denegada, também no mérito, a ordem. 

Processo nº 4001166-50.2019.8.04.0000

Leia o acórdão:

CÂMARAS REUNIDAS MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL N.º 4001166-50.2019.8.04.0000 IMPETRANTE: RODRIGO RODRIGUES “CANAÔ CORDEIRO ADVOGADO: ANTÔNIO MONTE JÚNIOR, GAIO LIMA MONTE AUTORIDADE COATORA: PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE NHAMUNDÁ EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. CÂMARA MUNICIPAL.INSTALAÇÃO DE COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO. PEDIDO NEGADO. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO DO IMPETRANTE.FATOS OBJETO DA INVESTIGAÇÃO NÃO ESPECIFICADOS NO PEDIDO.AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. DENEGAÇÃO DE SEGURANÇA EM CONSONÂNCIA COM O MP

Leia mais

Ajuizamento de múltiplas ações ambientais contra os mesmos réus exige avaliação de fragmentação

Para a Justiça não é racional o ajuizamento fragmentado de pretensões que tenham como pano de fundo o mesmo contexto fático e jurídico, especialmente...

É do acidentado o direito de escolher a seguradora para cobrar indenização do DPVAT

A Justiça do Amazonas reafirmou que vítimas de acidentes de trânsito têm o direito de escolher qualquer seguradora integrante do consórcio do DPVAT para...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Ajuizamento de múltiplas ações ambientais contra os mesmos réus exige avaliação de fragmentação

Para a Justiça não é racional o ajuizamento fragmentado de pretensões que tenham como pano de fundo o mesmo...

É do acidentado o direito de escolher a seguradora para cobrar indenização do DPVAT

A Justiça do Amazonas reafirmou que vítimas de acidentes de trânsito têm o direito de escolher qualquer seguradora integrante...

Justiça não pode rejeitar de imediato ação que aponta erro grosseiro em questão de concurso

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiu que ações judiciais em que candidatos alegam erro grosseiro ou...

Justiça suspende cobrança de IPTU em ação que aponta erro ligado ao Projeto Mapa de Manaus

A Justiça do Amazonas concedeu liminar para suspender a cobrança de parte de débitos de IPTU atribuídos a um...