Censura ilegítima ao Jornalismo, ainda que pelo Judiciário, deve ser rompida, diz Ministra

Censura ilegítima ao Jornalismo, ainda que pelo Judiciário, deve ser rompida, diz Ministra

Ao ser chamado para solucionar um conflito de interesses entre o direito à honra e à imagem da pessoa e a liberdade de expressão ou de imprensa, é essencial que o magistrado examine se a divulgação de informação, em casos concretos, foi obtida de uma fonte verídica ou que possua a presunção de verdade. Sem a presença desses parâmetros, não se deve concluir precipitadamente que a informação seja falsa, sob pena de contrariar o entendimento do STF de que a liberdade de imprensa é essencial.

Com essa disposição, a Ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal aceitou uma Reclamação da Gate Mídia-Portal do Holanda e concedeu medida cautelar para suspender os efeitos de uma decisão da Segunda Turma Recursal do Amazonas que confirmou a exclusão de matéria jornalística do referido site e o condenou a indenizar o autor em R$ 12 mil por danos morais.   

Na Reclamação proposta pelo advogado Christhian Naranjo, destacou-se que o Portal do Holanda reproduziu a notícia a partir do site oficial do Ministério Público do Amazonas. Assim, o fato de o beneficiário da medida reclamada ter participado do processo penal como acusado, e não como testemunha, era um dado constante no próprio órgão oficial que divulga as notícias.

Ao deferir a medida liminar requerida por Naranjo, suspendendo os efeitos da decisão contra o site de notícias, a Ministra registrou a inobservância do preceito fundamental que garante o direito à liberdade de expressão e de imprensa, mormente porque restou evidente que não houve informações falsas, até porque decorrentes de divulgação anterior de matéria de conteúdo jornalístico de site oficial do órgão de acusação do Amazonas, embora o site não tenha atribuído os créditos da matéria.

Segundo a Ministra,  o conhecimento da reclamação constitucional deve ser conhecido e provido em qualquer situação de censura ilegítima, ainda que não propriamente prévia, diante da persistente cultura de violação da liberdade de expressão no país, inclusive por intervenção judicial.

MEDIDACAUTELAR NA RECLAMAÇÃO 68.354 AMAZONAS

Leia mais

Lucro presumido não deve servir de base para cobrança maior de IRPJ e CSLL contra empresa

A Justiça Federal no Amazonas afastou a cobrança do acréscimo de 10% sobre os percentuais de presunção utilizados no cálculo do Imposto de Renda...

Desligamento de estudante não pode ser rediscutido após decisão definitiva da Justiça

Justiça impede nova discussão sobre jubilamento de estudante de Medicina ao reconhecer que o mesmo caso já havia sido julgado definitivamente em outra ação...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Governo avalia combate a supersalários em pacote fiscal para 2027

Medidas em estudo incluem revisão de penduricalhos e mudanças para assegurar o cumprimento do centro da meta fiscal O Ministério...

Lei que reduz penas do 8 de Janeiro aguarda julgamento há quase seis meses

Alexandre de Moraes relata ações contra a norma no STF; aplicação dos benefícios em execuções penais foi suspensa em...

Justiça condena homem a mais de 21 anos de prisão por homicídio motivado por som alto

A Justiça do Tocantins condenou um homem a 21 anos e nove meses de prisão pelo assassinato a tiros...

Justiça condena homem que agrediu e ameaçou a irmã para cobrar dívida

A Justiça do Tocantins condenou um homem por agredir e ameaçar a própria irmã após cobrar uma dívida e...