TJDFT mantém condenação de um pai pelo crime de maus-tratos contra os filhos

TJDFT mantém condenação de um pai pelo crime de maus-tratos contra os filhos

A 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação de um pai pelo crime de maus-tratos devido a excesso no poder disciplinar.

Conforme o processo, um pai foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pela prática do crime de maus-tratos contra seus filhos, em contexto de violência doméstica contra criança (art. 136, § 3º, do Código Penal, na forma do art. 2º, I e II, da Lei 14.344/2022 (Lei Henri Borel) c/c o art. 4º, I, da Lei 13.431/2017). Segundo o órgão ministerial, o acusado teria desferido alguns chutes no filho e dado um pisão na filha, em razão de terem-se recusado a acompanhá-lo no dia reservado à visita.

O juízo singular condenou o réu à pena de dois meses e vinte dias de detenção, no regime aberto, e concedeu a suspensão condicional da pena, pelo prazo de dois anos. Na decisão, ainda foi estabelecida indenização por danos morais à vítima, no valor de R$ 1 mil.

Em seu recurso, a defesa pediu a absolvição quanto ao crime de maus-tratos, em razão do fato não constituir infração penal ou diante da ausência de dolo em agredir o seu filho. No entanto, a Turma entendeu que as provas dos autos indicaram que o acusado se excedeu nos meios de correção, em virtude de supostos comportamentos que eram contrários ao que o réu considerava correto.

O Colegiado destacou que o próprio réu admitiu em juízo ter machucado o menor. “Conforme ficou demonstrado nos autos, os fatos apurados se inserem em um contexto de relação familiar existente entre pai e o menor, em que o réu sustenta ter causado as lesões acidentalmente no ofendido, sob a justificativa de que o menor estava nervoso e lhe deu alguns chutes. Assim, teria levantado o seu pé para que a criança não lhe atingisse em região delicada”.

Assim, para os Desembargadores, “o acervo probatório reflete a vontade livre e consciente de lesionar a vítima, com o intuito de corrigi-la, conduta essa que se tornou criminosa pelo excesso no poder disciplinar”. Desta forma, os julgadores decidiram que, “no caso concreto estão presentes as elementares do crime de maus-tratos, pois há relação de subordinação entre o sujeito ativo e o sujeito passivo em razão de autoridade, guarda ou vigilância; houve abuso nos meios de correção com intuito de educação e ensino; e, ademais, houve perigo à saúde do menor”. Assim, a sentença foi mantida.

Processo em segredo de Justiça.

Leia mais

Embarques frustrados e café da manhã no lugar do almoço levam Azul a indenizar passageiro no Amazonas

Juiz Caio César Catunda de Souza condenou a Azul a pagar R$ 5 mil por danos morais após dois embarques frustrados e espera de...

Manter ex-cônjuge em contrato de imóvel após divórcio e causar prejuízo gera dano moral

Depois do divórcio, um homem ficou com o imóvel e assumiu sozinho o financiamento, mas a instituição habitacional não retirou a ex-esposa do contrato,...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Embarques frustrados e café da manhã no lugar do almoço levam Azul a indenizar passageiro no Amazonas

Juiz Caio César Catunda de Souza condenou a Azul a pagar R$ 5 mil por danos morais após dois...

Justiça do Trabalho decide que sistema de gamificação em avaliação de desempenho não configura abuso

A juíza Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza Mendonça, titular da 1ª Vara do Trabalho de Governador Valadares (MG), ...

Justiça mantém demissão por justa causa de professora que puxou criança pelo agasalho

A Justiça do Trabalho da 2ª Região manteve a dispensa por justa causa de professora de educação infantil captada em...

Justiça condena plataforma a reativar perfil suspenso e indenizar usuário por danos morais

O 5º Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Mossoró (RN) condenou uma plataforma de rede social ao...