Igreja Universal é condenada à devolver doações de fiel pela Justiça de São Paulo

Igreja Universal é condenada à devolver doações de fiel pela Justiça de São Paulo

Foto: Thais Mesquita/Divulgação

O Tribunal de Justiça de São Paulo, em voto condutor do Desembargador César Peixoto, manteve a sentença que condenou a Igreja Universal do Reino de Deus, da cidade de São Paulo, onde se firmou a ação declaratória promovida por Luzia Paulo de Azevedo contra a Igreja na qual se pediu a anulação de doações realizadas à entidade religiosa. O fundamento jurídico do processo  foi o de que a autora esteve em contexto de vulnerabilidade acentuada vivenciado por período em que buscou amparo espiritual e religioso junto à Igreja por força de dificuldades do envolvimento do filho com o uso de substâncias ilícitas. A autora narrou que o filho teria sofrido um abalo decorrente da descoberta de um tumor cerebral, circunstância que teria influído na gravidade da pressão psicológica exercida pelo discurso religioso. O pedido foi atendido em primeiro grau e confirmado pelo TJSP.

De então, teriam decorrido doações à Igreja Universal, em números diversos, se adotando a tese de que a autora houvesse sido alvo de constantes ameaças, levando-a a crer que a salvação/benção divina somente seria obtida mediante a realização de contribuições periódicas. Essa circunstância foi denominada de prática de conhecimento público e notório comumente realizada pelos representantes da entidade. 

A autora, mãe do filho envolto nos problemas de saúde e sociais que enfrentava, teria chegado a realizar vários empréstimos  para atender ao que lhe foi solicitado na Igreja. Em primeiro grau, a juíza Ana Cláudia Dabus Guimarães e Souza, da 2ª Vara Cível concluiu que os valores doados deveriam ser devolvidos na integralidade e decidiu, também, em provimento ao pedido, indenização por danos morais. 

Em segundo grau de jurisdição, o acórdão confirmou a decisão da magistrada, e, a permanecer o julgado, a igreja que ainda pode recorrer, terá que devolver a importância de R$ 58.000,00 e ainda efetuar o pagamento de R$ 10 mil reais a título de indenização por danos morais. A decisão registra que ao Judiciário incumbe o dever de corrigir  eventuais abusos sem ofensa ao direito constitucional de crença. 

Processo nº 1001562-92.2021.8.26.0001

Leia mais

Sem prova de ilegalidade, Justiça não substitui avaliação de comissão de heteroidentificação

Segundo a decisão, o controle judicial é possível, mas não autoriza a substituição automática da avaliação administrativa. A Justiça Federal negou o pedido de liminar...

Análise de documentos não se confunde com dilação probatória para negar mandado de segurança

TRF1 suspende sentença que extinguiu ação sem julgamento do mérito ao entender que controvérsia pode ser resolvida com base em documentos já constantes dos...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça condena maternidade e pediatra por violência obstétrica psicológica

A 5ª Vara Cível de Campo Grande (MS) condenou maternidade e pediatra ao pagamento de R$ 15 mil por...

Justiça condena clínica de estética por procedimento facial malsucedido

A 9ª Vara Cível de Campo Grande (MS) condenou, de forma solidária, uma clínica de estética e sua franqueadora...

Justiça proíbe companhia aérea de exigir quitação antecipada para remarcar voo

Exigir a quitação do saldo remanescente de um pacote de viagens como condição para remarcar um voo cancelado, sem...

Sem prova de ilegalidade, Justiça não substitui avaliação de comissão de heteroidentificação

Segundo a decisão, o controle judicial é possível, mas não autoriza a substituição automática da avaliação administrativa. A Justiça Federal...