Condenado por ter matado o inimigo com bloco de concreto tem pena mantida pela Justiça do Amazonas

Condenado por ter matado o inimigo com bloco de concreto tem pena mantida pela Justiça do Amazonas

Movido pelo ódio, Paulo Ricardo Lopes, escondido por trás de um poste na rua em que trafegava a vítima, com sua bicicleta, armou-se com um bloco de concreto com peso de 19 quilos e, com as duas mãos, arremessou sobre Valdileno Lima, que se desequilibrou  e caiu, já desacordado. O fato ocorreu em Amaturá, onde o processo contra o acusado narrou, também, que, com a vítima no chão, Paulo ainda lhe desferiu chutes e pisões na cabeça, fugindo com a chegada de populares. Levado ao Júri, o Conselho de Sentença reconheceu a qualificadora do homicídio, sobrevindo pena de 12 anos de reclusão. Em apelação, a sentença foi mantida. O julgamento em segundo grau teve a relatoria de Jorge Manoel Lopes Lins. 

Para a defesa a decisão do júri fora manifestamente contrária a prova dos auto, razão pela requereu a anulação da sessão e constituição de um novo júri. Em segundo plano, o recorrente solicitou que se acolhesse haver necessidade de se desclassificar os fatos, afastando-se o dolo, com o reconhecimento de homicídio culposo.  Se pediu ainda o reconhecimento de violenta emoção. 

O Ministério Público sustentou que o acusado, por ocasião do fato, agiu na surdina, arremessando um bloco de concreto contra a vítima, que nada pode fazer em sua defesa. Lado outro, pediu a improcedência de todos os argumentos levantados no recurso. Para o julgado o Tribunal do Júri, movida por íntima convicção e com base no acervo probatório, elegeu uma das teses de acusação.

Afastou-se, assim, a possibilidade de que pudesse decorrer razão jurídica que autorizasse se anular a sessão de julgamento, pois o veredicto fora dado em harmonia com o material probante dos autos.  Somente se possa anular decisão de júri se esta for inteiramente destituída de qualquer apoio no processo, arrematou o julgado.

O fato de que o acusado tenha se utilizado de um bloco de concreto para eliminar a vida da vítima, tem por conclusão a completa falta de adequação da tese de homicídio culposo, dispôs o acórdão. Quanto à dosimetria penal, a modificação pretendida também restou prejudicada, posto que esta já havia sido lançada em seu mínimo legal. 

Processo nº 0000175-07.2013.8.04.7000.

Leia a decisão:

Processo: 0000175-07.2013.8.04.7000 – Apelação Criminal, Vara Única de São Paulo de Olivença. Apelante : Paulo Ricardo Aimanis Lopes. Relator: Jorge Manoel Lopes Lins. EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL – HOMICÍDIO QUALIFICADO – TRIBUNAL DO JÚRI – DECISÃO DO JÚRI CONTRÁRIA ÀS PROVAS DOS AUTOS – INOCORRÊNCIA – PEDIDO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA HOMICÍDIO CULPOSO – IMPOSSIBILIDADE – DOSIMETRIA DA PENA – PENA FIXADA NO MÍNIMO LEGAL – PEDIDO DE APLICAÇÃO DA ATENUANTE DE CONFISSÃO – IMPOSSIBILIDADE – INTELIGÊNCIA DA SÚMULA N°231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – VEREDITO MANTIDO.I Constata-se que o Conselho de Sentença
do Tribunal do Júri, movido por íntima convicção e com base no acervo probatório, elegeu uma das teses da acusação, ou seja, o homicídio qualificado pelo recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima

Leia mais

STF: Alegação de preterição em concurso não autoriza candidato a ignorar etapas recursais

A alegação de que a Administração Pública preteriu candidato aprovado em concurso ao contratar profissionais temporários para exercer as mesmas funções do cargo efetivo...

Casal homoafetivo vítima de homofobia em condomínio de Manaus será indenizado em R$ 20 mil

Sentença do 18.º Juizado Especial Cível de Manaus condenou um morador e um condomínio ao pagamento de danos morais a um casal homoafetivo vítima...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça nega indenização a auxiliar de produção diagnosticada com esporão

Os julgadores da Primeira Turma do TRT-MG, por unanimidade, rejeitaram o reconhecimento de doença ocupacional alegada por uma auxiliar...

Plano de saúde é condenado a indenizar gestante após negar autorização de parto e descumprir ordem judicial

Uma operadora de saúde foi condenada a custear integralmente um parto cesáreo e a pagar indenização por danos morais...

Banco deve indenizar idoso vítima de golpe

A 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou a condenação do Banco Bradesco S/A...

TRT-RS anula justa causa de instrutor de autoescola que forneceu senha pessoal do sistema para seu chefe

A 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) reverteu a despedida por justa causa aplicada...