Inteligência artificial vai revolucionar a advocacia, diz consultor dos EUA

Inteligência artificial vai revolucionar a advocacia, diz consultor dos EUA

Não há sinais de que qualquer tecnologia de inteligência artificial (IA) vai substituir, a qualquer tempo, os advogados nas salas de julgamento. Nos Estados Unidos, os advogados e a American Bar Association (ABA) não vão deixar isso acontecer, pelo que declaram. No entanto, novos sistemas baseados em linguagem ampla vão se tornar progressivamente uma ferramenta de trabalho que vai revolucionar a prática da advocacia no país.

A previsão é de John Villasenor, consultor do Center for Technology Innovation e codiretor do Institute for Technology, Law and Policy da Universidade da Califórnia. Ele acredita que os escritórios que adotarem as tecnologias emergentes de inteligência artificial poderão reduzir os custos dos serviços jurídicos, aumentar a eficiência e, provavelmente, obter resultados mais favoráveis em contenciosos.

No outro polo, os escritórios que resistirem à adoção dessas tecnologias terão dificuldades para se manterem competitivos em termos de custos, perderão clientes e terão menor capacidade para atrair e reter novos clientes.

Para Villasenor, as tecnologias de IA que já existem (como GPT-3, GPT-4 e CoCounsel, todas baseadas em OpenAI) e as que vão surgir terão muitas utilidades. Poderão, por exemplo, “cumprir tarefas sofisticadas, como as de escrever e fazer pesquisas, que requerem a proficiência de profissionais altamente treinados”, escreveu ele em artigo publicado no site Brookings.

“Considere uma das tarefas que mais tempo consomem em um contencioso: extrair estrutura, significado e informações relevantes de um enorme conjunto de documentos produzidos pelos trabalhos de pesquisa e discovery. A inteligência artificial vai acelerar esse processo, realizando em segundos um trabalho que, sem ajuda da IA, pode durar semanas.”

A inteligência artificial também pode ser usada para escrever a primeira versão de uma petição inicial, citando jurisprudência relevante, apresentando argumentos e refutando (e prevendo) argumentos da parte adversária. É claro que o advogado terá de produzir a redação final da petição, mas o processo será mais rápido com a ajuda da inteligência artificial, diz o consultor.

A redação de documentos será muito mais eficiente com a ajuda da IA, mesmo quando ela demandar um alto grau de personalização — um trabalho que, normalmente, toma muito tempo do advogado.

Esse é o caso, por exemplo, da redação de contratos, assim como dos diferentes tipos de documentos a serem protocolados em uma corte durante um litígio, e também respostas a interrogatórios, sumários de fatos, informações aos clientes sobre um processo em tramitação, mensagens a possíveis clientes etc.

O consultor prevê que essa tecnologia também poderá ser usada durante um julgamento, para analisar em tempo real a transcrição e sugerir ao advogado perguntas que podem ser feitas a testemunhas.

A ajuda que essas tecnologias de inteligência artificial podem dar em pesquisas é considerável. O Cocounsel, da Casetext, por exemplo, pode pesquisar o que as cortes em determinadas jurisdições decidiram em casos similares ao que o advogado está trabalhando no momento.

Novas qualificações
É claro que os advogados terão de aprender a usar essas ferramentas de IA, porque elas envolvem muito mais do que apenas apertar um botão, diz o consultor. “A inteligência artificial é mais eficaz quando é usada para complementar habilidades humanas. E os advogados que aprenderem a alavancar essa colaboração vão desfrutar o melhor das ferramentas de IA.”

Isso vai exigir treinamento, até para fazer a escolha da ferramenta certa para executar uma tarefa em particular, como para fazer as perguntas certas e avaliar a relevância, qualidade e precisão das respostas. E, então, sintetizar os resultados em um documento coerente e útil para o processo.

Parte desse treinamento já pode ser feito na faculdade de Direito, se o currículo for atualizado para isso. Os estudantes podem começar a aprender, por exemplo, como usar a inteligência artificial em pesquisa e redação.

Finalmente, os advogados têm de se certificar de que devem usar as ferramentas de inteligência artificial com o devido cuidado, para proteger a confidencialidade de suas relações com os clientes, afirma Villasenor.

Com informações do Conjur

Leia mais

Causa eleitoral antiga que não mais impeça candidatura deve prosseguir se ainda puder gerar multa, diz TSE

Decisão de Nunes Marques mantém vivo recurso relacionado às eleições de 2010 no Amazonas porque ainda subsiste a possibilidade de aplicação de sanção financeira Uma...

Suspensão de inscrição estadual por irregularidade fiscal não configura sanção política

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu que a suspensão da inscrição estadual de uma empresa por descumprimento de obrigação acessória, precedida de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Falhas sucessivas em mecânica de carro resultam em indenização de R$ 6 mil à consumidora

A 5ª Vara Cível da Comarca de Mossoró (RN) condenou uma fabricante de automóveis e uma concessionária após uma...

Homem que agrediu sobrinho autista deve prestar serviços à comunidade

A Câmara Criminal não deu provimento ao pedido de absolvição apresentado pelo homem condenado por agredir fisicamente o sobrinho,...

Justiça condena plataforma de viagens e hotel a indenizar cliente em R$ 6 mil após recusa de reembolso

Uma plataforma digital de viagens e um hotel foram condenados após se recusarem a reembolsar uma consumidora pelo cancelamento...

Justiça mantém condenação de homem por lesão corporal contra a própria mãe

A 13ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (SP) manteve condenação de homem por...