Processos relacionados ao crime organizado cresceram 62% no Judiciário brasileiro entre 2022 e 2025, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça.
O número de novas ações passou de 17.481 para 28.463 no período, em meio ao aumento das operações de repressão às facções criminosas e à intensificação do debate sobre segurança pública no país.
Somente nos primeiros meses de 2026, o Judiciário recebeu 7.081 novos procedimentos ligados ao crime organizado, incluindo ações penais, recursos e medidas cautelares. O levantamento aponta ainda que mais de 29 mil processos permaneciam pendentes de julgamento até março deste ano. Segundo o CNJ, o tempo médio de tramitação desses casos supera dois anos.
Entre os processos registrados neste ano, predominam acusações relacionadas à promoção, constituição, financiamento ou integração de organizações criminosas. Também aparecem com frequência ações ligadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, associação para o tráfico e pedidos de prisão preventiva.
Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais indicam que o Brasil possui ao menos 88 organizações criminosas atuando dentro e fora do sistema prisional. Segundo o levantamento, essas facções exercem influência sobre aproximadamente 1.760 pavilhões prisionais em todo o país.
O estudo também aponta que cerca de 50 milhões de pessoas vivem em regiões sob influência de grupos criminosos, conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Cambridge University Press. As organizações atuam principalmente em atividades ligadas ao tráfico de drogas, armas, roubos a bancos e transporte de valores.
No cenário internacional, cresce a pressão para que o Brasil fortaleça medidas de enfrentamento às facções. O governo dos Estados Unidos discute enquadrar organizações como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho em regimes jurídicos voltados ao combate internacional ao terrorismo, sob argumento de envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional.
Em resposta ao avanço das facções, o governo federal prepara o lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, voltado ao combate financeiro das organizações criminosas. O Executivo também anunciou reforço de aproximadamente R$ 900 milhões para ações de segurança pública e sistema penitenciário.
