Senador deixou o Brasil após ordem de restrição de viagem; autoridades argentinas registraram entrada pela fronteira e embarque para o Equador.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos societários não declarados com o advogado e empresário Willer Tomaz, ligado ao setor de apostas. A relatoria é do ministro Alexandre de Moraes. Os envolvidos negam irregularidades.
A investigação ganhou novo desdobramento com a saída do parlamentar do Brasil após determinação judicial que o proibia de deixar o país. Segundo comunicado da Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio e familiares atravessaram a fronteira às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. Às 23h30, embarcaram em voo privado com destino declarado a Guayaquil, no Equador.
O registro argentino contraria declarações anteriores de aliados que já situavam o senador nos Estados Unidos. Essas versões circularam antes do horário em que as autoridades migratórias registraram sua entrada na Argentina.
Restrições judiciais
Flávio foi intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26) a entregar os passaportes comum e diplomático, além de eventuais documentos de viagem de outras nacionalidades. O prazo terminou às 11h de terça-feira sem a apresentação dos documentos. Os passaportes brasileiros foram cancelados. A determinação também impede a comunicação do senador com Willer Tomaz.
A decisão tramita sob sigilo. Ao tornar pública a intimação, o próprio parlamentar confirmou que estava proibido de sair do Brasil, criticou a medida e afirmou que entregaria os documentos e apresentaria sua defesa.
Vínculos financeiros sob investigação
Um dos elementos examinados pela Polícia Federal é o suposto acesso de Flávio, na condição de usuário com amplos poderes de administração, à conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Willer registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. Os documentos descritos na apuração indicam que a exclusão do nome do senador desse acesso foi solicitada em maio de 2025.
Os investigadores procuram esclarecer se esse vínculo correspondia a uma participação econômica ou societária não formalizada. A existência do acesso bancário, conforme relatado na investigação, é um dos indícios examinados, sem representar conclusão definitiva sobre a prática de crime.
Outra frente envolve a BestBet. Willer e familiares detêm participação majoritária na Cathedral Holdings, companhia portuguesa que controla a Rede Loto, responsável pela casa de apostas. A PF busca esclarecer se o senador mantinha participação oculta no empreendimento.
Defesas rejeitam suspeitas
A campanha de Flávio declarou que a relação entre o senador e Willer é exclusivamente de amizade. O parlamentar classificou as suspeitas como infundadas e atribuiu motivação eleitoral às acusações.
A assessoria de Willer afirmou que suas empresas e participações são lícitas, estão identificadas em registros públicos e foram declaradas ao Imposto de Renda. As suspeitas permanecem sob investigação.
