Eleições 2026: Justiça Eleitoral abre campanha preventiva contra desinformação digital

Eleições 2026: Justiça Eleitoral abre campanha preventiva contra desinformação digital

TSE lança websérie sobre desinformação e apresenta método para identificação de conteúdos potencialmente falsos nas redes

Em meio ao avanço de tecnologias capazes de ampliar a circulação de conteúdos manipulados — inclusive por inteligência artificial — o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a investir em estratégias de comunicação institucional voltadas à alfabetização informacional do eleitor.

A iniciativa mais recente é a websérie “V de Verdade – Em terra de fatos, fake não tem vez”, lançada nas redes sociais da Justiça Eleitoral com o objetivo de orientar o público sobre os mecanismos de produção e disseminação da desinformação no ambiente digital.

A campanha é estruturada em seis vídeos curtos, com duração aproximada de um minuto, que explicam como conteúdos enganosos são construídos, replicados e consumidos nas redes sociais — especialmente em contextos de grande volume informacional, como períodos eleitorais. O material busca oferecer instrumentos práticos para que eleitoras e eleitores possam questionar a autenticidade de mensagens, imagens ou vídeos antes de compartilhá-los.

O eixo central da série é a apresentação dos chamados “5 Vs da Desinformação”, critérios que ajudam a identificar quando uma informação apenas aparenta ser verdadeira. São eles: o volume de conteúdos que circulam diariamente na internet; a variedade de formatos e temas em que essas informações se apresentam; a velocidade com que são produzidas e compartilhadas; a viralidade, que amplia artificialmente seu alcance; e a verossimilhança, isto é, a capacidade de conteúdos manipulados imitarem elementos da realidade para parecerem críveis.

Na prática, o modelo parte da premissa de que a desinformação contemporânea não se sustenta necessariamente em falsidades evidentes, mas na construção de narrativas plausíveis, frequentemente ancoradas em dados verdadeiros retirados de contexto ou editados de forma estratégica — fenômeno que se intensifica com o uso de ferramentas de edição automatizada e sistemas generativos.

Durante seminário recente sobre segurança, comunicação e desinformação, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, destacou que o enfrentamento desse tipo de conteúdo deixou de ser um desafio exclusivamente nacional e passou a exigir respostas institucionais coordenadas. Segundo ela, a circulação de informações falsas pode comprometer a liberdade de escolha do eleitor ao induzir decisões baseadas em premissas inexistentes ou distorcidas.

Os episódios da websérie serão publicados semanalmente, às quartas-feiras, nas redes sociais do Tribunal e no canal oficial da Justiça Eleitoral no YouTube, além de serem disponibilizados a emissoras de televisão e parceiros institucionais.

Sob o ponto de vista regulatório, a iniciativa se insere no conjunto de medidas preventivas adotadas pela Justiça Eleitoral para mitigar riscos informacionais que, embora não configurem ilícitos eleitorais em sentido estrito, podem impactar a formação livre e consciente da vontade política do eleitorado — especialmente em um cenário marcado pela intensificação do debate público no ambiente digital.

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