Colapso do Banco Master expõe fraude bilionária, intervenção do BC e investigação que chegou ao STF

Colapso do Banco Master expõe fraude bilionária, intervenção do BC e investigação que chegou ao STF

O colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, transformou em investigação criminal uma trajetória de crescimento acelerado que, em apenas seis anos, levou a instituição de um banco de pequeno porte a um conglomerado financeiro com dezenas de bilhões de reais em captações. O caso envolve suspeitas de fraude no sistema financeiro, lavagem de dinheiro e corrupção, além de repercussões institucionais que chegaram ao Supremo Tribunal Federal.

A instituição passou ao controle do empresário mineiro Daniel Vorcaro em 2019, quando ainda se chamava Banco Máxima. Em poucos anos, o banco adotou uma estratégia agressiva de captação de recursos por meio de CDBs com rendimentos muito superiores aos praticados no mercado, muitas vezes chegando a 140% do CDI. Esses investimentos eram atraentes por estarem cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que permitiu ao banco expandir rapidamente sua base de recursos.

Entre 2019 e 2023, o Master saltou da 91ª para uma das maiores posições no ranking de bancos brasileiros em volume de passivos. O crescimento acelerado, porém, passou a levantar alertas no mercado e dentro do próprio Banco Central, que iniciou acompanhamento permanente da instituição ao identificar baixa liquidez e inconsistências na gestão de risco.

As investigações posteriores indicaram que parte dos ativos que sustentavam o crescimento do banco teria sido inflada ou inexistente. Um dos principais pontos sob apuração envolve a venda de carteiras de crédito consignado ao Banco de Brasília (BRB), intermediadas por uma empresa chamada Tirreno. Segundo a Polícia Federal e o Banco Central, diversos contratos utilizados como lastro dessas operações não existiam ou não tinham documentação comprobatória.

Diante do agravamento da situação financeira e das suspeitas de irregularidades, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025. Na ocasião, a instituição possuía apenas cerca de R$ 4 milhões em caixa, embora tivesse mais de R$ 120 milhões em obrigações imediatas. O impacto do colapso atingiu o Fundo Garantidor de Créditos, responsável por honrar bilhões de reais em aplicações de investidores.

Paralelamente à intervenção administrativa, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro e de executivos ligados ao banco. As investigações também apuram a existência de uma organização criminosa estruturada para desviar recursos e intimidar adversários, descrita pela PF como uma espécie de “milícia privada”.

O caso ganhou contornos institucionais após chegar ao Supremo Tribunal Federal. O processo inicialmente ficou sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que posteriormente deixou o caso após questionamentos sobre possíveis vínculos indiretos com pessoas investigadas. A relatoria foi redistribuída ao ministro André Mendonça, que atualmente conduz as decisões judiciais relacionadas às investigações.

Novas fases da operação, deflagradas em 2026, levaram novamente à prisão de Vorcaro e revelaram diálogos e conexões políticas que ampliaram o alcance das apurações. Segundo a Polícia Federal, as investigações continuam em curso para identificar a extensão das fraudes e a eventual participação de agentes públicos ou privados no esquema.

O episódio é considerado um dos maiores colapsos bancários recentes no país, com impacto estimado em dezenas de bilhões de reais para o sistema financeiro, além de abrir um debate sobre supervisão bancária, uso do FGC e possíveis interferências políticas em investigações financeiras de grande porte.

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