STF confirma que Amazonas deve repassar contribuição sindical de oficiais de justiça

STF confirma que Amazonas deve repassar contribuição sindical de oficiais de justiça

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal confirmou que o Estado do Amazonas tinha a obrigação de recolher e repassar a contribuição sindical devida em março de 2017 aos oficiais de justiça avaliadores, representados pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça Avaliadores (SINDOJUS-AM).

O caso

O processo começou com mandado de segurança ajuizado pelo sindicato, após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) indeferir o pedido de desconto e repasse das contribuições. O TJAM reconheceu a existência de direito líquido e certo, com fundamento em precedentes do STF e do STJ que, antes da reforma trabalhista de 2017, admitiam a cobrança da contribuição sindical de servidores estatutários, independentemente de lei específica.

Inconformado, o Estado do Amazonas interpôs recurso extraordinário ao STF, alegando violação aos artigos 8º, IV, e 149 da Constituição e sustentando que não havia norma que obrigasse o repasse para servidores não regidos pela CLT.

O caminho no STF

Em abril de 2025, o então presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, negou seguimento ao recurso por entender que a controvérsia dependia da análise de normas infraconstitucionais (CLT, arts. 578 e seguintes), configurando ofensa apenas reflexa à Constituição.

O Estado interpôs agravo regimental, levado a julgamento pela Primeira Turma. Em agosto de 2025, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, o colegiado manteve a decisão monocrática. O voto ressaltou que a parte recorrente alegou de forma genérica a existência de repercussão geral, sem cumprir o requisito do art. 1.035, §2º, do CPC, e reafirmou que a jurisprudência do STF consolidou a exigibilidade da contribuição sindical de servidores públicos até 2017.

Resultado

O agravo foi desprovido e, diante da improcedência manifesta, foi aplicada multa de 5% sobre o valor atualizado da causa, conforme o art. 1.021, §4º, do CPC.

Com a decisão, ficou confirmado que o Amazonas não poderia se eximir do recolhimento e repasse da contribuição sindical devida em 2017 aos oficiais de justiça.

RE 1545154

Leia mais

TJAM: acordo judicial não altera marco da mora nem regime de juros em execução contra a Fazenda

A homologação de acordo judicial não modifica o momento de constituição em mora do ente público nem autoriza a aplicação de critérios distintos de...

TDAH isolado não autoriza enquadramento como PCD para acesso a vagas reservadas

A caracterização da pessoa com deficiência para fins de acesso a políticas públicas exige não apenas diagnóstico clínico, mas a comprovação de limitações funcionais...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

TJAM: acordo judicial não altera marco da mora nem regime de juros em execução contra a Fazenda

A homologação de acordo judicial não modifica o momento de constituição em mora do ente público nem autoriza a...

TDAH isolado não autoriza enquadramento como PCD para acesso a vagas reservadas

A caracterização da pessoa com deficiência para fins de acesso a políticas públicas exige não apenas diagnóstico clínico, mas...

Se arma que embasou condenação foi indicada pelo réu durante diligência, não há ilegalidade, diz STJ

A indicação do próprio investigado pode mudar completamente o destino de uma prova no processo penal. Quando a localização...

Justiça reconhece isenção de imposto de importação para dentista que morou no exterior

A 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) manteve a sentença que julgou os pedidos da...