Sentença contraditória viola segurança jurídica e boa-fé, impondo anulação, define TJAM

Sentença contraditória viola segurança jurídica e boa-fé, impondo anulação, define TJAM

No recurso examinado, o Relator constatou que o autor solicitou a realização de prova pericial, com o objetivo de demonstrar que foi vítima de fraude, alegando haver incorreções em seus documentos pessoais, incluindo endereço, CPF e assinatura. Contraditoriamente, o Juiz afirmou que nenhuma das partes havia requerido provas e procedeu ao julgamento antecipado da lide, resultando em uma decisão de improcedência. Essa incoerência e contradição revelam a nulidade do ato judicial.

A proibição do comportamento contraditório também se aplica aos atos judiciais. Havendo a sentença sido editada com afronta a boa-fé, há nulidade, dispôs o Desembargador João de Jesus Abdala Simões, do TJAM.  

Na ação, o autor afirmou que a assinatura no documento apresentado pelo banco não era sua e, por isso, solicitou uma perícia para comprovar que todos os seus dados estavam incorretos. Apesar disso, o Juiz decidiu pela improcedência da ação por falta de provas, realizando o julgamento antecipado da lide. Consequentemente, a sentença foi anulada com voto do Relator. 

Uma sentença é incoerente e contraditória quando desconsidera o pedido de produção de prova pericial, especialmente quando essa prova é essencial para verificar a autenticidade dos dados pessoais da vítima da fraude.

O autor se apresentou ao juízo alegando a falsidade de sua assinatura, de todos os seus dados, e solicitou a produção de provas necessárias para esclarecer os fatos. No entanto,  sofreu evidente prejuízo quando o Juiz, após registrar, com erro, que não havia pedido de instrução,  julgou a lide com base na falta de evidências que o convencessem. 

O TJ-AM entendeu que o julgamento antecipado da lide foi inadequado, uma vez que a produção de provas era essencial para esclarecer as alegações do autor. A decisão destacou que o comportamento do magistrado ao desconsiderar o pedido de provas e, ao mesmo tempo, julgar a causa por ausência de indícios convincentes, configurou violação ao devido processo legal e ao princípio da boa-fé objetiva.

Isso criou uma legítima expectativa de que as provas seriam consideradas, o que não ocorreu, caracterizando comportamento contraditório, o que viola a boa fé e compromete a segurança depositada na Justiça. Com base nesses argumentos, a Corte decidiu anular a sentença de primeira instância e possibilitar a adequada instrução probatória do caso.  

Processo: 0567025-79.2023.8.04.0001   

Leia a ementa:

Apelação Cível / Rescisão do contrato e devolução do dinheiroRelator(a): João de Jesus Abdala SimõesComarca: ManausÓrgão julgador: Terceira Câmara CívelData do julgamento: 05/08/2024Data de publicação: 05/08/2024Ementa: PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. FALTA DE ANÁLISE DO PEDIDO DE PROVA PERICIAL. ANÚNCIO DE JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONCLUSÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS. NULIDADE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

Leia mais

Ainda que a punição por improbidade dolosa esteja prescrita, o dever de reparar o dano permanece

Sentença da Justiça Federal no Amazonas manteve ressarcimento de R$ 3,5 milhões mesmo após reconhecer prescrição das sanções contra ex-gestor; decisão está sob recurso...

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o golpe. Uma correntista enganada por um...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

“OAB da Medicina”: diploma não basta para atender pacientes

Nova lei exige desempenho mínimo no Enamed para obter registro profissional; regra vale para quem ingressou no curso a...

AGU pede ao STF solução para falta de R$ 533 milhões destinados a pagamentos de Juízes

Judiciário federal e Ministério Público da União informaram insuficiência orçamentária para cumprir decisões sobre vantagens remuneratórias; manifestação foi apresentada...

Comissão aprova atendimento virtual 24 horas a mulheres vítimas de violência

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1292/26, que...

Comissão aprova projeto que prevê apoio a profissionais da educação vítimas de violência

A Comissão de Cultura aprovou o Projeto de Lei 7114/25, que cria o Programa Nacional de Apoio Jurídico, Psicológico...