Militar do Amazonas terá promoção retroativa se direito não restar prescrito

Militar do Amazonas terá promoção retroativa se direito não restar prescrito

O Tribunal do Amazonas examinou o pedido de reconhecimento de erro administrativo quanto à lerdeza na promoção de servidor militar pelo Estado do Amazonas em recurso ofertado por Isvi Aranha. O recurso objetivou a reforma de sentença na qual a militar requereu o reconhecimento, por declaração, à promoção retroativa aos postos de Cabo, terceiro e segundo Sargento e Subtenente sob o fundamento de erro na promoção praticada de forma tardia pelo Estado, e, por consequência, com efeito, também tardio, nas promoções ulteriores, convertendo-os em danos materiais e morais, não acolhido em primeira instância, por se entender que o mérito dessa discussão já havia lançado seu mergulho na prescrição. No apelo se confirmou a sentença, se rejeitando a tese da irregularidade administrativa e se confirmando a perda do prazo para se obter a declaração de mérito pretendida. Foi Relator Yedo Simões de Oliveira. 

Na origem, a sentença concluiu que a partir da data da ação ordinária a pretensão de retroagir seus efeitos modificativos para mais de cinco anos estaria fulminado pela prescrição. Houve a perda desse direito de se discutir e rever judicialmente as promoções após o ano de 2013. “Sobre os atos de promoções ocorridos após a data de 15/10/2013, seus efeitos não podem ser retroagidos a mais de 5 anos da mesma data, devido a prescrição quinquenal de efeitos patrimoniais. 

Em segunda instância o julgado concluiu que “ainda que a retificação da data de promoção a Cabo gere efeitos jurídicos renováveis ao longo do tempo, a sua pretensão essencial encontra-se na origem, aplicando ao caso em comento o artigo 1º do decreto 20.910/32, prescrevendo em cinco anos qualquer direito ou ação contra a Fazenda Estadual, contados da data do fato do qual se originaram”.

Não seria uma relação de trato sucessivo, que se renova ato a ato, pois a retificação de data dessas promoções e, consequentemente, o recebimento de diferenças salariais pertinentes à modificação dessa situação perante a Administração Pública é uma relação de trato único, havendo a existência de ato omissivo que resultou no obstáculo ao próprio direito, sem a incidência dos ciclos renováveis de prestações e sem a renovação de pretensões jurídicas. 

“Teria ocorrido omissão capaz de atingir o próprio direito às vantagens e seu consequente recebimento”, não havendo, no erro apontado contra a  Administração Pública uma omissão persistente em retificar o suposto vício, mas sim um ato omissivo supostamente ilegal e temporalmente localizado no tempo”, daí a confirmação da prescrição. 

Processo nº 0648114-03.2018.8.04.0001

Leia o acórdão:

SEGUNDA CÂMARA CÍVEL Apelação Cível n.º 0648114-03.2018.8.04.0001 Apelante : Isvi Gonçalves. Relator: Des.  Yedo Simões de Oliveira EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃOORDINÁRIA. IMPROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO. POLICIAL MILITAR. RETIFICAÇÃO DA DATA DE PROMOÇÃO RETROATIVA. PRELIMINAR DENULIDADE DA SENTENÇA. DESACOLHIMENTO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. DANOS MORAIS. INEXISTÊNCIA. CONVERSÃO DE FÉRIAS E LICENÇA EMPECÚNIA. PEDIDO GENÉRICO, INCERTO E INDETERMINADO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSOCONHECIDO, E DESPROVIDO.

Leia mais

Sentença que inverte ônus da prova sem prévia intimação das partes é nula, define Justiça no Amazonas

É nula a sentença que aplica o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e inverte o ônus da prova sem prévia intimação das partes,...

Ausência de interrogatório na fase policial não gera nulidade e tampouco impede cautelar

A ausência de interrogatório do investigado na fase policial, por si só, não configura cerceamento de defesa nem invalida a decretação de prisão preventiva...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Empresária é impedida de explorar imagem de cantor sertanejo em produtos

A 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve sentença da 3ª Vara...

TJ-SP mantém condenação de homem por estelionato

A 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve, em parte, decisão da 1ª...

Faculdade não apresenta contrato assinado e tem negada cobrança de R$ 18,7 mil em mensalidades

A tentativa de uma faculdade de cobrar R$ 18.780,65 em mensalidades supostamente atrasadas, referentes ao período de março a...

Consumidor garante reembolso integral e indenização por viagem não realizada

Após não conseguir remarcar nem obter o reembolso de um pacote turístico cancelado durante a pandemia da Covid-19, um...