Homicídio por homofobia mantém acusado preso em Manaus

Homicídio por homofobia mantém acusado preso em Manaus

O Desembargador José Hamilton Saraiva, firmou jurisprudência no Tribunal do Amazonas, ao inferir  em Habeas Corpus julgado improcedente quanto ao pedido de soltura, que seja legal a prisão cautelar de natureza processual, para a  garantia da ordem púbica e da instrução criminal, ante a periculosidade do agente demonstrada na prática de tentativa de homicídio com motivação homofóbica. A motivação do crime, negada pelo Paciente Rozenildo Silva, teria sido  impulsionada por homofobia, com disparos de arma de fogo contra as vítimas. 

Em primeiro grau, o Magistrado George Barroso considerou a narrativa dos fatos pela autoridade policial: “Após uma discussão com as vítimas em um estabelecimento, em Manaus, os representados perseguiram as vítimas, desferindo contra estas vários disparos de arma de fogo, evadindo-se do local após a agressão. O crime fora motivado por homofobia”, e apenas Rozenildo teve sua prisão decretada, pois o segundo indiciado teria se evadido. 

O pedido inaugurado no Habeas Corpus fundamentou que houve um decreto de prisão preventiva ao arrepio dos requisitos autorizadores da medida cautelar, pedindo, alternativamente, a concessão de medidas cautelares diversas da prisão, ao fundamento de que as condições pessoais favoreciam o atendimento da demanda, pedindo-se, ainda, que se levasse em consideração a presença de filhos menores.

O habeas corpus considerou que houve dupla qualificadora na tentativa de homicídio, pois houve motivo fútil- discussão seguida de exigência de pedido de desculpas- e motivo torpe- a homofobia- que, ante o quadro fático delineado nos autos, demonstrava que o paciente não poderia ter atendido o pedido ao direito de liberdade, uma vez que a prisão preventiva no caso esteja calcada na garantia da ordem pública, ante a gravidade em concreto da conduta do agente, pois houve uma violência extremamente exacerbada durante o episódio criminoso.

Processo 4008197.53.2021.8.04.0000

Leia o acórdão:

Primeira Câmara Criminal. Habeas Corpus n.º 4008197-53.2021.8.04.0000 . Paciente: Rozenildo Silva. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. ART.  121, § 2.º, INCISOS I E II DO CÓDIGO PENAL. REVOGAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA.  IMPOSSIBILIDADE. PREENCHIDOS OS REQUISITOS DO ART. 312 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. PROVAS DA MATERIALIDADE. INDÍCIOS DE AUTORIA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA, DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL E DA CONCLUSÃO DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. MODUS OPERANDI. HOMOFOBIA. GRAVIDADE. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. PRECEDENTES. MEDIDAS CAUTELARES, DIVERSAS DA PRISÃO, INSUFICIENTES. CONDIÇÕES SUBJETIVAS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. FILHO MENOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE DO PACIENTE NOS CUIDADOS COM A PROLE. COVID-19. RECOMENDAÇÃO N.º 62 DO COLENDO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL VULNERABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. PRECEDENTES DESTE EGRÉGIO SODALÍCIO. ORDEM CONHECIDA E DENEGADA

 

 

Leia mais

Manter ex-cônjuge em contrato de imóvel após divórcio e causar prejuízo gera dano moral

Depois do divórcio, um homem ficou com o imóvel e assumiu sozinho o financiamento, mas a instituição habitacional não retirou a ex-esposa do contrato,...

Águas de Manaus deve comprovar água nas torneiras, e não apenas no sistema, diz Justiça

Juiz  Luís Alberto Nascimento Albuquerque, do Juizado Cível, determinou bloqueio de R$ 40 mil em multas após oficial de justiça constatar que residência de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça condena plataforma a reativar perfil suspenso e indenizar usuário por danos morais

O 5º Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Mossoró (RN) condenou uma plataforma de rede social ao...

Empresa de energia solar é condenada após não instalar sistema contratado por consumidor

Uma empresa de energia solar foi condenada ao pagamento de indenizações por danos materiais e morais, além de ter...

Médico será indenizado por ser mantido como responsável técnico após dispensa

A Amil Assistência Médica Internacional S.A. deverá pagar R$ 30 mil de indenização a um médico por mantê-lo como...

TSE nega acusação de Flávio sobre expulsão de fiscais de sala-cofre

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse nesta segunda-feira (26) ser falsa afirmação do candidato à Presidência derrotado no segundo...