STJ mantém reparação de R$ 30 mil a homem preso no Amazonas por estupro e depois absolvido

STJ mantém reparação de R$ 30 mil a homem preso no Amazonas por estupro e depois absolvido

O Superior Tribunal de Justiça manteve a reparação de R$ 30 mil a um homem que permaneceu preso por mais de três anos sob acusação de estupro no Amazonas e, ao final do processo criminal, foi absolvido.

A decisão é do ministro Paulo Sérgio Domingues, no julgamento de recurso com publicação em 11 de fevereiro de 2026.

Prisão e absolvição

O caso teve origem em ação de indenização movida por Eliseu Moreira da Silva contra o Estado do Amazonas. O autor afirmou que ficou preso preventivamente por três anos, um mês e um dia, acusado de estupro. Durante o processo, alegou ter sido agredido por policiais e coagido a confessar o crime. Ao fim da ação penal, ele foi absolvido por insuficiência de provas.

Diante da absolvição, buscou na Justiça reparação por danos morais e materiais, sustentando que a prisão teria sido indevida e lhe causado prejuízos pessoais e financeiros.

Sentença e julgamento no TJAM

O Juiz Leoney Figliuolo Harraquian, da Vara da Fazenda Pública de Manaus, julgou o pedido parcialmente procedente e condenou o Estado ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais. O Magistrado entendeu que faltou ao Estado cautela na apuração do crime e imputou ao ente a responsabilidade objetiva. O pedido de danos materiais foi rejeitado por falta de comprovação específica.

O caso chegou ao Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, que manteve a condenação, mas adotou fundamentação diferente da sentença.

O Tribunal afirmou que a prisão preventiva regularmente decretada, ainda que seguida de absolvição, não gera automaticamente o dever de indenizar. Para haver responsabilidade civil do Estado, seria necessária a comprovação de abuso de autoridade ou excesso de poder — o que, segundo o colegiado, não ficou demonstrado nos autos.

Ainda assim, a indenização foi preservada porque o recurso do Estado não foi conhecido por inovação recursal. Como apenas o autor teve seu recurso apreciado, o TJAM aplicou o princípio da non reformatio in pejus, impedindo a retirada da condenação, mas também afastando qualquer aumento do valor fixado.

Pedido de aumento no STJ

No recurso ao STJ, o homem pediu a elevação da reparação para R$ 1,8 milhão, alegando que o valor fixado seria irrisório diante do tempo de prisão. Também insistiu na condenação do Estado ao pagamento de danos materiais.

Ao analisar o agravo contra a inadmissão do recurso especial, o ministro Paulo Sérgio Domingues entendeu que o recorrente não enfrentou todos os fundamentos do acórdão do TJAM — especialmente o ponto central de que não havia sido comprovado abuso ou ilegalidade na decretação da prisão.

O relator aplicou, por analogia, a Súmula 283 do STF, que impede o conhecimento de recurso quando não são impugnados todos os fundamentos suficientes da decisão recorrida. Também destacou que a revisão do valor fixado a título de dano moral só é admitida em situações excepcionais de irrisoriedade ou exorbitância, o que não se verificou no caso. Alterar essa conclusão, afirmou, exigiria reexame de provas, vedado pela Súmula 7 do STJ.

Com isso, o STJ conheceu do agravo apenas para não conhecer do recurso especial, mantendo a reparação de R$ 30 mil fixada na origem.

A decisão encerra a discussão no âmbito infraconstitucional e preserva o valor definido pelas instâncias locais, reafirmando que a absolvição posterior, por si só, não implica automaticamente responsabilidade civil do Estado por prisão preventiva.

Número único 0616492-66.2019.8.04.0001

Leia mais

Cármen Lúcia aponta questionamento tardio da defesa no Caso Fred e rejeita recurso de condenados

Ministra destaca intervalo de 12 anos sem contestação das irregularidades da instrução; decisão mantém penas de 33 anos e sete meses de prisão para...

STF barra pedido de aluguel social para famílias removidas pela Prefeitura de Manaus

Nunes Marques considera inadequada a via utilizada pela Defensoria e entende que ocupação recente não está abrangida pelas medidas invocadas na ADPF 828. O ministro...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça Eleitoral terá atendimento remoto em Libras

Pessoas surdas ou com deficiência auditiva poderão contar com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante o atendimento...

Advogada é condenada a retirar publicação nas redes sociais que incentivava demissões por convicção política

A 1ª Vara do Trabalho de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, determinou que uma advogada retire de suas redes...

Justiça autoriza volta do funcionamento de três bets no Brasil

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), de São Paulo, autorizou, em liminar, a volta do funcionamento de...

Ministro determina tornozeleira eletrônica a cabo da FAB acusado de ameaça em Boa Vista (RR)

Em decisão monocrática, o ministro Péricles Aurélio Lima de Queiroz, do Superior Tribunal Militar (STM), determinou a instalação de...