Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para uma sala de Estado-Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, área anexa ao Complexo Penitenciário da Papuda.
A medida foi adotada no âmbito da execução penal referente à condenação definitiva do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados ao atentado contra o Estado democrático de Direito. Bolsonaro cumpre pena em regime fechado desde o trânsito em julgado da condenação, ocorrido em novembro de 2025.
Fundamentação da transferência
Na decisão, o relator destacou que a custódia anterior já assegurava condições diferenciadas em relação ao sistema prisional comum, como cela individual, banheiro privativo, climatização, televisão e atendimento médico. Ainda assim, diante de sucessivos requerimentos da defesa relacionados a condições de saúde, repouso e assistência fisioterápica, o ministro considerou adequada a transferência para unidade com estrutura mais ampla.
A nova sala de Estado-Maior possui cerca de 65 metros quadrados, com quarto, banheiro com água quente, cozinha, área interna e externa, espaço para exercícios físicos e acesso a posto de saúde com equipe multidisciplinar. O despacho também determinou a realização de perícia por junta médica da Polícia Federal, antes da análise de novo pedido de prisão domiciliar humanitária.
O ministro ressaltou que as condições especiais não afastam o cumprimento efetivo da pena em regime fechado, registrando que a execução penal permanece submetida aos parâmetros legais e ao controle jurisdicional do Supremo Tribunal Federal.
Repercussão no meio político
A decisão teve ampla repercussão política, com manifestações públicas de parlamentares e lideranças partidárias, sobretudo em redes sociais. As reações destacaram o simbolismo histórico da Papuda, complexo penitenciário que já abrigou réus condenados em casos de grande repercussão nacional, como o mensalão e a Operação Lava Jato.
Parte das manifestações tratou das condições materiais da sala de Estado-Maior, mencionando a existência de estrutura diferenciada em relação ao sistema prisional comum. Outras declarações associaram a transferência ao enfrentamento institucional à impunidade, enquanto críticas foram dirigidas às alegações da defesa sobre supostas irregularidades na custódia anterior.
No despacho, o ministro Alexandre de Moraes registrou que a execução da pena não se confunde com tratamento degradante nem com privilégio incompatível com o regime fechado, observando que narrativas políticas não alteram o conteúdo jurídico da decisão nem os parâmetros legais aplicáveis ao caso.
Decisão do STF que transfere Bolsonaro para Papuda repercute no meio político
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