Acidentado com doença grave faz jus a isenção de imposto de renda, define Justiça do Amazonas

Acidentado com doença grave faz jus a isenção de imposto de renda, define Justiça do Amazonas

A discussão jurídica do caso limitou-se a apreciar sobre a consistência de um pedido para que a Justiça do Amazonas reconhecesse  ser direito do autor  a isenção tributária do IRPF, bem como acerca do direito à restituição dos valores descontados nos últimos cinco anos depois que o autor do pedido sofreu um acidente automobilístico que provocou danos neurológicos e debilidade permanente em estado físico.  

Decisão da Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), sob a relatoria do Desembargador Cezar Luiz Bandiera, manteve a sentença de que concedeu isenção tributária do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) a um funcionário do Estado que relatou ser portador  de moléstia grave decorrente de acidente automobilístico. O julgado desatendeu a apelo do Estado. 

O caso envolveu um contribuinte que, após sofrer um grave acidente, ficou com danos neurológicos permanentes, causando alienação mental e debilidade dos membros direitos superiores e inferiores, enquadrando-se nas condições de “alienação mental e paralisia irreversível e incapacitante”, previstas no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88.

Na origem, por meio de uma declaratória de inexistência de relação jurídica tributária c/c repetição do indébito, o pedido do autor qual foi julgado procedente, deferindo-se a solicitação de restituição dos valores de Imposto de Renda (IRPF) descontados na fonte. 

O Estado questionou a autorização concedida em primeiro grau, sob o argumento de ausência das declarações anuais do IRPF. No entanto, o colegiado definiu que a ausência das declarações não impediu o reconhecimento da isenção, uma vez que os descontos foram comprovados pelos contracheques juntados aos processo. 

A decisão também destacou que a comprovação do estado de saúde do autor foi atestada por laudo médico legista do Estado, o que bastou para a solução do imbróglio jurídico. 

O pedido de isenção tributária, de acordo com a decisão, foi fundamentado no estado de paralisia irreversível e incapacitante decorrente de um traumatismo craniano decorrente de acidente de trânsito, o que por si, constituiu-se em doença grave motivadora para a isenção conforma previsto em norma específica, dispuseram os Desembargadores da Câmara Cível. 

Processo n. 0704949-69.2022.8.04.0001 
Classe/Assunto: Apelação Cível / IRPF/Imposto de Renda de Pessoa Física
Relator(a): Cezar Luiz Bandiera
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Segunda Câmara Cível

 

Leia mais

Mesmo sem contrato assinado, extratos podem comprovar empréstimo

Segunda Câmara Cível entendeu que liberação do crédito, uso do dinheiro e descontos posteriores podem demonstrar contratação; ausência do documento físico, sozinha, não torna...

Tempo de serviço sozinho não garante progressão ao servidor

Servidora já havia conquistado progressão funcional, mas Tribunal entendeu que o tempo trabalhado não bastava para reconhecer novo avanço na carreira. O tempo de serviço,...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Plano de saúde deve garantir acompanhamento nutricional para paciente com autismo

A 7ª Turma Cível do TJDFT decidiu que operadora de plano de saúde deve assegurar acompanhamento nutricional prescrito para...

Filho e noivado não bastam para comprovar união estável pós-morte, decide STJ

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria de votos, rejeitou pedido de reconhecimento de união...

TSE não participa de mudança de locais de votação, diz Nunes Marques

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, disse na terça-feira (20) que a Corte não...

Empresa não pode pagar advogado para representar trabalhador em acordo de rescisão

A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho determinou que a Viação Sudoeste Transportes e Turismo Ltda., de Francisco...