Exposição indevida de dados pessoais justifica indenização com base na LGPD, decide TJMG

Exposição indevida de dados pessoais justifica indenização com base na LGPD, decide TJMG

A divulgação não autorizada de dados pessoais caracteriza afronta à Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) e gera o dever de indenizar.

Com esse entendimento, a 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) deu parcial provimento ao recurso de um cidadão contra sentença da Vara Única da Comarca de Miradouro e fixou em R$ 10 mil a indenização por danos morais a ser paga por um órgão de proteção ao crédito que vazou suas informações.

O autor alegou que, nos anos de 2020 e 2021, teve seus dados pessoais e bancários compartilhados com terceiros sem autorização, o que foi confirmado por meio de certificação emitida pela própria instituição ré. Diante da violação de sua privacidade, ingressou com ação judicial para impedir novos acessos indevidos e obter reparação pelos danos causados.

Em primeira instância, o pedido de indenização foi julgado improcedente sob o fundamento de inexistência de ato ilícito. Contudo, ao analisar a apelação, o relator, desembargador Newton Teixeira Carvalho, destacou que a LGPD estabelece como obrigação dos agentes de tratamento garantir a segurança dos dados pessoais, sendo vedado o acesso por terceiros não autorizados.

Segundo o magistrado, “a instituição financeira que não emprega segurança suficiente a fim de evitar que os dados bancários e pessoais do consumidor sejam entregues a terceiros, estará infringindo as disposições legislativas vigentes”. Ainda conforme o relator, a violação à privacidade é, por si só, apta a configurar o dano moral, sobretudo diante da vulnerabilidade do consumidor e do desequilíbrio na relação com grandes empresas.

O voto foi acompanhado pelos desembargadores Lúcio Eduardo de Brito e Maria Luíza Santana Assunção. Embora o autor pleiteasse R$ 20 mil, o colegiado fixou a indenização em R$ 10 mil, levando em conta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

Leia mais

TJAM define novos integrantes das Turmas Recursais dos Juizados Especiais

O Tribunal Pleno do Judiciário amazonense aprovou, em sessão realizada nessa terça-feira (31/3), os nomes do juiz Celso Antunes da Silveira Filho e da...

Justiça condena banco por danos morais após manter hipoteca de imóvel por 23 anos após quitação

Depois de mais de duas décadas desde o pagamento da última parcela do financiamento de sua casa, um morador de Manaus conseguiu na Justiça...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

PM relata ao STF troca do carregador da tornozeleira de Bolsonaro

A Polícia Militar do Distrito Federal informou nesta quarta-feira (1°) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ocorrência de troca...

Justiça condena ginecologista por crimes sexuais contra pacientes no RS

Um médico ginecologista foi condenado na Comarca de Ijuí a 26 anos e 10 meses de prisão, no regime...

Novos prazos para licença-paternidade valem a partir de 2027; entenda

A lei que amplia os prazos da licença-paternidade entra em vigor em 2027 e concederá inicialmente mais cinco dias...

Autor de feminicídio deve ressarcir INSS por pensão paga a filhos da vítima

A Advocacia-Geral da União (AGU) confirmou, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o entendimento de que o...