Em Roraima, MP denuncia dois homens por tortura contra uma mulher em sessões de ritual satânico

Em Roraima, MP denuncia dois homens por tortura contra uma mulher em sessões de ritual satânico

O Ministério Público do Estado de Roraima(MPRR), por meio da Promotoria de Justiça de Rorainópolis, denunciou na última sexta-feira, 07 de junho, José de Souza e Jaderson Rabelo de Souza, pai e filho, pelos crimes de tortura qualificada, lesão corporal grave e cárcere privado praticados contra M.Z.N.M. .

A vítima conheceu José por meio de rede social. Os dois iniciaram relacionamento amoroso em março deste ano, quando passaram a morar juntos.

De acordo com a denúncia do MPRR,  “José apresentou à vítima a religião denominada luciferianismo e passou a tentar convencê-la em participar dos rituais. Ocorre que diante da recusa por parte da filha da ofendida (a qual foi morar com a mãe com a concordância de José), o acusado foi se tornando cada vez mais agressivo e começou a cobrar que a Maria rompesse relações com sua própria filha”.

Já afastada da filha, a vítima era obrigada a participar dos rituais, quando lhe davam um chá entorpecente e era violentamente agredida. Ela chegou a fugir da casa do ex-companheiro, mas retornou por causa de ameaças, ele dizia que mataria a filha dela e o ex-marido, foi quando os rituais ficaram mais violentos. Quando M.Z.N.M. falava que não participaria dos rituais, José a agredia. O filho dele, Jaderson, era cúmplice de tudo.

“José ameaçava a vítima psicologicamente, afirmando que ela ficaria louca por influência de Lúcifer e das espiritualidades. Nos rituais religiosos, as agressões eram constantes. José dizia que a companheira deveria se transformar em bruxa e que ela tinha que fazer o que ele queria para se tornar forte. Era comum o denunciado obrigar a vítima a tomar substâncias entorpecentes como chás e ervas que eram inaladas”, narra trecho da Denúncia. A vítima também sofreu cortes pelo corpo.

A mulher só conseguiu escapar dos acusados porque precisou ser levada ao hospital da cidade devido ao frágil estado de saúde. Na unidade hospitalar, ela relatou aos profissionais durante o atendimento que estava em cárcere privado e pediu socorro. Os servidores chamaram a polícia militar, que prendeu o denunciado.

“O relato da vítima expõe um crime bárbaro que revela o pior da crueldade humana. A tortura contra uma mulher que foi tratada como um objeto por seu companheiro. Por outro lado, a coragem da vítima em denunciar e buscar ajuda após escapar é um exemplo de força. Este caso mostra a gravidade da violência de gênero em Rorainópolis e a necessidade de responsabilizar à altura os agressores”, destacou o Promotor de Justiça, André Bagatin.

Caso José e Jaderson sejam condenados, a soma das penas máximas pelos crimes cometidos podem chegar a 30 anos de reclusão.

Com informações do MPRR

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