É direito do pensionista propor revisão do benefício por ser dependente econômico do falecido

É direito do pensionista propor revisão do benefício por ser dependente econômico do falecido

O pensionista, pessoa que está recebendo o benefício previdenciário devido por ser dependente do falecido segurado, tem o direito de entrar com uma ação em seu próprio nome para pedir revisão de numerários financeiros. O caso envolveu um pedido de revisão de pensão contra o INSS, decorrente do direito à pensão por morte decorrente de acidente de trabalho, o que atrai a competência da Justiça Estadual. Foi Relatora a Desembargadora Joana dos Santos Meirelles. 

Pensionistas e sucessores têm legitimidade para, em ordem de preferência, propor em nome próprio a ação revisional da aposentadoria com o objetivo de redefinir a renda mensal da pensão por morte e receber diferenças resultantes do recálculo da pensão ou valores devidos e não pagos pela Administração ao instituidor quando vivo.

No caso concreto, a autora pediu o reajuste do valor da RMI – Renda Mensal Inicial, pela aplicação dos mesmos índices utilizados na fixação do novo teto de pagamento dos benefícios previdenciários, determinados pelas Emendas Constitucionais nº 20/1998 e nº 41/2003. 

O INSS alegou que a beneficiária  não teria legitimidade para pleitear revisão de benefício do qual não seria titular, visto que o benefício previdenciário seria direito personalíssimo, não se observando o teor do art. 18 do CPC/15, em razão de que pugnou pela extinção do feito. O pedido foi negado, e a revisão atendida. 

A revisão pode se basear na revisitação do valor mensal da aposentadoria que o falecido recebeu, pois qualquer aumento ou ajuste nesse valor reflete na pensão que o beneficiário, na condição de dependente, esteja a receber. Esse direito é considerado parte do patrimônio do falecido, que foi transferido aos herdeiros, pois envolve questões financeiras, de natureza econômica, não se constituindo um direito personalíssimo do falecido.   

Além disso, o ajuste no valor do benefício para seguir o novo teto de previdência estabelecido pela Constituição (EC nº 20/1998 e EC nº 41/2003) não fere o “ato jurídico perfeito” ou seja, não desrespeita a segurança jurídica de atos feitos anteriormente. Isso significa que a aplicação desses novos tetos pode ser feita imediatamente sobre benefícios previdenciários, situação que o INSS deva obedecer. 

A autora, na qualidade de pensionista de falecido segurado, possui legitimidade ativa para propor ação em nome próprio a fim de pleitear a revisão da renda mensal da aposentadoria percebida pelo finado, comreflexos no benefício de que ora é titular, visto que tal direito integra-se ao patrimônio do morto e transfere-se aos sucessores, por seu caráter econômico e não personalíssimo, fincou a decisão. 

Processo n. 0238091-68.2015.8.04.0001  
Classe/Assunto: Apelação Cível / Antecipação de Tutela / Tutela Específica
Relator(a): Joana dos Santos Meirelles
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Primeira Câmara Cível

Leia mais

É dever, não é calúnia: Justiça tranca ação penal contra síndica que atuou para proteger adolescente

O Tribunal de Justiça do Amazonas, por meio da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais, concedeu habeas corpus e determinou o trancamento de ação...

Justiça suspende repasse de consignados de servidores e segurados da Amazonprev ao Banco Master

Decisão proferida pela 2.ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus determinou a suspensão dos repasses relativos a empréstimos consignados contratados por servidores...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

É dever, não é calúnia: Justiça tranca ação penal contra síndica que atuou para proteger adolescente

O Tribunal de Justiça do Amazonas, por meio da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais, concedeu habeas corpus e...

Para STJ, lei impede usucapião de imóvel situado em área de preservação permanente

​A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que não é possível o acolhimento de exceção de...

TJDFT mantém condenação de academia por acidente em esteira causado por falta de orientação

A 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação da Academia...

Justiça suspende repasse de consignados de servidores e segurados da Amazonprev ao Banco Master

Decisão proferida pela 2.ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus determinou a suspensão dos repasses relativos a...