Ameaças à ex-mulher por meio escrito também provam procedência de violência doméstica

Ameaças à ex-mulher por meio escrito também provam procedência de violência doméstica

O Desembargador João Mauro Bessa, do Tribunal do Amazonas, definiu em voto condutor de julgado que se constitui crime de ameaça em contexto de violência doméstica o fato do acusado ter deixado, por dois dias seguidos, na casa da vítima, sua ex-companheira, um quadro com palavras intimidadoras. O acusado não negou o fato de ter sido o autor do fato e, por consequência, dos escritos, porém, negou que tivesse a intenção de ameaçar sua ex-mulher. A alegação de H.S.P, foi rejeitada. 

Para o Relator, nos crimes cometidos mediante violência doméstica e familiar, a palavra da vítima se reveste de relevante valor probatório, desde que segura, coerente e corroborada por outros meios de prova. No caso examinado, se concluiu que a vítima se pautou pela serenidade e confiante na justiça, tanto na fase extrajudicial quanto na fase do processo, perante o juiz e o Ministério Público. 

A vítima firmou as ameaças narradas na denúncia e que teriam a autoria do acusado, o qual lhe enviara mensagens, escrevendo-as em um quadro e em uma carta, deixando-os na porta de sua residência. Mensagens de cunho ameaçador, com a entrega à destinatária foram bastantes para se aferir razão jurídica suficiente para se crer que a ofendida, como revelou em juízo, se sentisse atemorizada. 

Dispôs o julgado que no caso concreto não se pode acolher a tese de insuficiência probatória, tampouco a aplicação equivocada da jurisprudência que confere especial relevância à palavra da vítima, tendo a sentença condenatória fundamentação idônea, com a correta valoração do depoimento da vítima e interrogatório do acusado, não merecendo reparo. 

Leia o acórdão:

Processo: 0714461-47.2020.8.04.0001 – Apelação Criminal, 3º Juizado Especializado da Violência Doméstica (Maria da Penha)Apelante: H. C. de S.Processo: 0753968-78.2021.8.04.0001 – Apelação Criminal, 1º Juizado Especializado da Violência Doméstica (Maria da Penha)Apelante: M. P. do E. do A.. Relator: João Mauro Bessa. Revisor: Carla Maria Santos dos Reis APELAÇÃO CRIMINAL – VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER – LESÃO CORPORAL – AUSÊNCIA DE PROVAS CONTUDENTES QUANTO À AUTORIA DELITIVA – IN DUBIO PRO REO – SENTENÇA ABSOLUTÓRIA EM CONSONÂNCIA COM AS PROVAS DOS AUTOS – APELAÇÃO CRIMINAL CONHECIDA E NÃO PROVIDA.

Leia mais

Lucro presumido não deve servir de base para cobrança maior de IRPJ e CSLL contra empresa

A Justiça Federal no Amazonas afastou a cobrança do acréscimo de 10% sobre os percentuais de presunção utilizados no cálculo do Imposto de Renda...

Desligamento de estudante não pode ser rediscutido após decisão definitiva da Justiça

Justiça impede nova discussão sobre jubilamento de estudante de Medicina ao reconhecer que o mesmo caso já havia sido julgado definitivamente em outra ação...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Citação por aplicativo ou rede social terá julgamento reiniciado no STJ

Corte Especial levará discussão ao plenário presencial; relator propõe validar a comunicação com confirmação da identidade do destinatário e...

Lucro presumido não deve servir de base para cobrança maior de IRPJ e CSLL contra empresa

A Justiça Federal no Amazonas afastou a cobrança do acréscimo de 10% sobre os percentuais de presunção utilizados no...

Vítima de assédio sexual pode participar de processo disciplinar como terceira interessada

Segundo a Corte Especial do STJ, participação das denunciantes não compromete o direito de defesa nem afasta o dever...

Desligamento de estudante não pode ser rediscutido após decisão definitiva da Justiça

Justiça impede nova discussão sobre jubilamento de estudante de Medicina ao reconhecer que o mesmo caso já havia sido...