A bancada federal do Partido Novo apresentou nesta segunda-feira (26) uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) e uma comunicação de fatos à Polícia Federal (PF) contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suposta “interferência atípica” na condução das investigações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro e o complexo caso do Banco Master.
Os documentos encaminhados ao Ministério Público e à PF sustentam que atos praticados por Toffoli no âmbito do inquérito relacionado ao Banco Master extrapolam os limites da função jurisdicional, o que, segundo os parlamentares, poderia configurar, em tese, crimes como gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, além de eventuais violações aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
A representação é assinada pelo líder da sigla na Câmara, deputado Marcel van Hattem (RS), pela deputada Adriana Ventura (SP) e pelo senador Eduardo Girão (CE), que afirmaram em nota que “a sociedade exige uma resposta clara das instituições de Estado” e que a PGR e a PF devem agir com independência e cumprir seu “dever constitucional”.
Contexto do caso Banco Master
O caso tem origem nas investigações da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para apurar supostas fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master e lideradas pelo empresário Daniel Vorcaro. Relatórios da própria Polícia Federal citados em decisões judiciais apontam indícios de esquema criminoso voltado à gestão fraudulenta de instituição financeira, indução a erro de investidores, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado, além de lavagem de capitais.
No Supremo, o inquérito foi relatado por Toffoli, que autorizou medidas como quebras de sigilo e bloqueio de bens dos investigados, além de outras diligências que vêm gerando debates internos e externos sobre a condução do processo.
Pressões e repercussões institucionais
O pedido do Novo ocorre em meio a um ambiente de pressão crescente no Congresso e no meio jurídico. Nos últimos dias, pedidos de impedimento ou investigação sobre a atuação de Toffoli já haviam sido protocolados por parlamentares de diferentes partidos, mas, em despacho divulgado em 22 de janeiro, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, arquivou representações anteriores sob o argumento de que os temas já estavam sendo apurados no âmbito do próprio STF, com acompanhamento da PGR.
Adicionalmente, reportagens indicam que a atuação de Toffoli no caso tem sido alvo de críticas públicas e institucionalizadas, inclusive em razão de contatos e decisões que teriam impactado a tramitação do processo no STF, gerando questionamentos sobre a imparcialidade e limites jurisdicionais de sua atuação.
Efeitos práticos e próximos passos
Se acolhidos, os pedidos apresentados pelo Partido Novo podem resultar na abertura de investigação criminal contra o ministro por órgãos externos ao STF — o que, até agora, não havia ocorrido após as tentativas anteriores de controle interno da própria Corte. A PF, por sua vez, poderá analisar a comunicação de fatos para avaliar a necessidade de instaurar procedimento investigatório formal a respeito da suposta interferência de Toffoli nos desdobramentos da Operação Compliance Zero.
O episódio intensifica o debate sobre os limites da função jurisdicional de ministros do STF, o papel de órgãos de controle como a PGR e a PF, e o equilíbrio entre independência judicial e a responsabilidade penal e administrativa de autoridades com prerrogativa de foro.
