Testemunhas se emocionam em audiência em que ex-delegado é acusado de abuso de autoridade no Rio

Testemunhas se emocionam em audiência em que ex-delegado é acusado de abuso de autoridade no Rio

As duas advogadas que ficaram presas por cerca de 48 horas, acusadas de falsificação e associação criminosa, após voz de prisão dada pelo ex-delegado Maurício Demétrio enquanto acompanhavam uma cliente, ficaram muito emocionadas ao relembrarem os fatos vividos em 2018, durante audiência realizada nesta segunda-feira (23/10), na 33ª Vara Criminal do Rio.

Aos prantos, elas relataram terem dormido na Polinter em condições insalubres e ainda ficado em uma cela em Benfica com outras 14 detentas, mesmo tendo direito a cela especial pela graduação.  Na época, as advogadas foram soltas após a realização de audiência de custódia.

Durante seus depoimentos como testemunhas de acusação, as advogadas contaram que foram procuradas por uma cliente, de nome Izaura Garcia, para a propositura de uma ação de não cumprimento contratual, afirmando que seria a autora de um texto publicado no livro “Ágape”, do Padre Marcelo Rossi, com a autoria reconhecida contratualmente pela Editora Globo, que, no entanto, não estaria reconhecendo a autoria nas novas edições da publicação.

As profissionais entraram com ação cível e, como haveria um crime de plágio em andamento devido às novas edições, elas se dirigiram à delegacia para registrar o fato. De acordo com elas, que afirmaram não serem criminalistas, o então delegado Maurício Demétrio teria assediado umas das advogadas presencialmente, tendo enviado, após, mensagem de texto com coração e ligado insistentemente.

Elas afirmaram não terem tido acesso ao processo e que compareceram novamente à delegacia com a cliente por orientação do delegado, que pediu que levassem de novo toda a documentação, em um flagrante que teria sido armado previamente.

Neste momento, ele afirmou que a documentação era falsa, deu voz de prisão às três e teria dificultado a presença de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Também teria retirado os telefones das vítimas e feito uma busca e apreensão à casa de Izaura, tudo sem autorização judicial.

Outras duas testemunhas de acusação – um delegado e um policial – foram ouvidas na audiência. Ao final, foi aberta vista do processo para Ministério Público, a fim que este se manifeste sobre a necessidade do depoimento de mais duas pessoas que não compareceram.  Com o parecer da promotoria, será marcada uma nova data para a continuação da audiência.

Processo 0086163-43.2021.8.19.0001

Com informações do TJRJ

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