Militar do Amazonas que não usufruiu de licença prêmio pode cobrá-la em pecúnia

Militar do Amazonas que não usufruiu de licença prêmio pode cobrá-la em pecúnia

 A alegação do Estado do Amazonas de que foi extinto o direito à licença especial dos militares estaduais a partir do ano de 2000, por força de simetria entre a lei estadual e lei do militar federal que revogou o benefício, dando fim a esse direito na esfera federal, não foi aceita pelo Desembargador Elci Simões de Oliveira, do Tribunal de Justiça. A deliberação ocorreu em exame necessário de ação de cobrança da licença prêmio, com conversão em pecúnia, realizada pela militar Maria Maciel Costa. O Estado pretendia a reforma da sentença que havia concedido esse direito, ao argumento de que os militares estaduais se constituem em forças auxiliares do exército. 

O Estado se opôs ao reconhecimento do direito à licença especial não gozada e à condenação derivada da sua conversão em pecúnia, ao fundamento de que tendo o benefício sido revogado da legislação concernente às Forças Armadas, não poderia sobreviver no regimento da Polícia Militar, ante a paridade de regimes imposta pelo artigo 24, do Decreto-Lei nº 667/69. 

Segundo o Desembargador o entendimento correto sobre a matéria é o de que o legislador federal delegou ao legislativo estadual a competência para delinear direitos e deveres de suas respectivas corporações militares, e, assim, a concessão do direito à licença especial aos militares estaduais representa regular exercício dessa providência pela Assembleia Legislativa. 

“A licença especial constitui direito do Policial Militar Estadual, regulado pela Lei nº 1.154/1975, mais especificamente no artigo 65, que estabelece que o militar fará jus ao benefício de 3(três) meses de descanso a cada quinquênio de efetivo serviço, com todos os direitos e vantagens do seu cargo efetivo”. Sendo assim, quando o militar for transferido para a inatividade, sem ter usufruído dessa licença, é possível sua conversão em pecúnia. 

Processo nº 0681908-44.2020.8.04.0001

Leia o acórdão:

APELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA Nº 0681908-44.2020.8.04.0001. RELATOR: DESEMB. ELCI SIMÕES DE OLIVEIRA. Remessa Necessária. Apelação Cível. Ação Ordinária de Cobrança. Militar. Licença Especial. Não Usufruídas. Inatividade. Conversão em Pecúnia. Possibilidade. 1. Há firme posicionamento do STJ no sentido de ser possível a conversão das licenças-prêmio em pecúnia, quando o servidor for transferido para a reserva sem tê-las usufruído, sob pena de indevido locupletamento por parte da Administração Pública. 2. É possível a conversão em pecúnia de licenças-prêmio não usufruídas pelo servidor após a passagem para a inatividade, ante a vedação ao enriquecimento ilícito do Estado, que pretende valer-se dos serviços prestados no momento de descanso sem arcar com a devida contraprestação. 3. Recurso conhecido e desprovido. Remessa Necessária Prejudi

 

Leia mais

Imóvel entregue sem condições de moradia permite suspensão do financiamento, decide Justiça

A entrega de imóvel residencial sem condições mínimas de habitabilidade pode justificar a suspensão do pagamento das parcelas do financiamento até que os defeitos...

Homem preso por dívida alimentar já quitada será indenizado por falha da Justiça no Amazonas

A prisão de um homem por dívida alimentar já quitada levou a Justiça do Amazonas a reconhecer falha estatal na manutenção de mandado que...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Fachin autoriza AGU a defender Moraes em processo nos EUA

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, autorizou a Advocacia-Geral da União (AGU) a atuar em defesa...

Judiciário do Rio atende pedidos de medida protetiva no feriado

Devido ao aumento de pedidos de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, o Plantão Judiciário do Tribunal...

Propaganda enganosa de construtora gera indenização a comprador

A 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve, em parte, sentença da 5ª...

Homem que cegou companheira com facadas é condenado por tentativa de feminicídio

Quatro meses após agredir, perseguir, esfaquear e tentar ceifar a vida da companheira, um homem foi a júri popular...