Justiça mantém condenação de ex-prefeito por fechar aeródromo e colocar voos em risco

Justiça mantém condenação de ex-prefeito por fechar aeródromo e colocar voos em risco

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação do ex-prefeito de Maricá (RJ), Washington Luiz Cardoso Siqueira, por ter fechado irregularmente o aeródromo da cidade em 2013. A pena foi fixada em três anos, dois meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial aberto. A decisão foi do desembargador convocado Carlos Cini Marchionatti.

Segundo o Ministério Público Federal, o então prefeito firmou um convênio com a União em 2012 para administrar o aeródromo, passando a ser responsável pelas despesas de operação e manutenção do local. No entanto, no ano seguinte, ele editou um decreto proibindo pousos e decolagens por tempo indeterminado, sem avisar os órgãos responsáveis pela segurança do tráfego aéreo.

Para impedir o funcionamento do aeródromo, foram adotadas medidas como o fechamento dos portões de acesso, incluindo os hangares, e o bloqueio da pista com viaturas da guarda municipal. Algumas aeronaves chegaram a ser impedidas de pousar e, em certos casos, precisaram arremeter (interromper a aterrissagem) devido à presença de viaturas na pista.

A Justiça entendeu que essas ações colocaram em risco a segurança da navegação aérea, afetando o tráfego de diversas aeronaves e o trabalho de empresas que atuavam no local. Por isso, o caso foi julgado pela Justiça Federal.

A defesa do ex-prefeito argumentou que não houve crime, pois as aeronaves não transportavam passageiros e o caso não envolveria interesse da União. Também alegou que a pena foi exagerada. No entanto, o STJ rejeitou esses argumentos. O relator destacou que a lei penal não exige que a aeronave seja de transporte coletivo para configurar o crime e reforçou que a conduta teve potencial de afetar várias aeronaves e seus ocupantes, justificando o interesse da União e a competência da Justiça Federal.

Além disso, o aumento da pena foi mantido porque o ex-prefeito, como gestor público experiente, sabia das consequências legais de suas ações e envolveu a estrutura do município para cumprir a ordem ilegal.

Leia mais

Risco de confronto: TRF1 suspende desocupação de acesso a porto em Santarém

TRF1 considerou que a execução imediata da ordem judicial poderia resultar em operação policial para retirada forçada dos manifestantes, criando risco de confronto direto...

Ingresso em imóvel do Minha Casa Minha Vida por acordo particular não garante regularização

A Justiça Federal do Amazonas decidiu que quem entra em imóvel do Programa Minha Casa Minha Vida por meio de acordo particular — como...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Risco de confronto: TRF1 suspende desocupação de acesso a porto em Santarém

TRF1 considerou que a execução imediata da ordem judicial poderia resultar em operação policial para retirada forçada dos manifestantes,...

Eleições 2026: Justiça Eleitoral abre campanha preventiva contra desinformação digital

TSE lança websérie sobre desinformação e apresenta método para identificação de conteúdos potencialmente falsos nas redes Em meio ao avanço...

Com novo relator no caso do Banco Master, STF extingue pedido da PF sobre suspeição de ministro

O Supremo Tribunal Federal confirmou a extinção do pedido de declaração de suspeição formulado pela Polícia Federal em face...

TST aumenta indenização a pais e irmãos de trabalhador morto em acidente e reconhece dano moral

A 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu aumentar o valor da indenização por danos morais devida...