Justiça do Amazonas concede salvo conduto a advogado para recorrer de condenação em liberdade

Justiça do Amazonas concede salvo conduto a advogado para recorrer de condenação em liberdade

A Desembargadora Vânia Maria Marques Marinho concedeu ordem de habeas corpus a José Abelardo de Albuquerque Mello Santos, expedindo salvo conduto, por considerar que a prisão preventiva decretada pela juíza Careen Aguiar Fernandes,  contra o advogado, na fase da sentença condenatória, se contrapôs ao fato de que o réu, durante a instrução criminal e a fase que a antecedeu, tenha permanecido solto, sem se demonstrar que estivessem presentes os requisitos autorizadores da medida cautelar de natureza extrema. 

Condenado pela prática do crime de sonegação de papel ou objeto de valor probatório, por ter deixado de restituir autos processuais físicos, que havia retirado da Secretaria da Vara, devidamente autorizado, porém sem o necessário retorno à origem, o acusado foi alvo de aplicação de pena de 10 meses de detenção em regime aberto. A magistrada, ao negar ao réu o direito de apelar em liberdade, considerou que as circunstâncias pessoais do acusado não lhe eram favoráveis. 

Na decisão concessiva de habeas corpus, a Primeira Câmara Criminal concluiu em harmonia com o sistema constitucional que “analisando a sentença de 1º grau, extrai-se que, de fato, a Juíza de piso se utilizou de fundamentação inidônea para justificar a decretação da segregação preventiva do Paciente, porquanto fundamentou a imprescindibilidade da medida extrema, tão somente, na existência de circunstâncias pessoais desfavoráveis”.

Para o julgado, a sentença fora omissa, porque os autos se ressentiam da exigência processual contida no artigo 312 do CPP sobre a existência de elementos concretos que evidenciam o risco de que em liberdade o réu representasse à garantia da ordem pública, estando ausente a demonstração do perigo gerado pelo estado de liberdade do condenado. Expediu-se salvo conduto, a fim de que o causídico não necessitasse de se recolher à prisão para ter o direito de apelar em liberdade. 

Uma possível reiteração delitiva do crime, à justificar a medida preventiva, também fora afastada, pois se considerou que o delito foi o de não restituir autos físicos de processo penal ao cartório, autos que tinha retirado em carga, crime não mais possível nos dias de hoje, em que os processos judiciais passaram a ser eletrônicos. Se considerou o constrangimento ilegal, passível de habeas corpus. 

Processo 4004329-33.2022.8.04.0000

Leia o acórdão:

Processo: 4004329-33.2022.8.04.0000 – Habeas Corpus Criminal. Paciente : José Abelardo de Albuquerque Mello Santos. Relator: Vânia Maria Marques Marinho. Revisor: Revisor do processo Não informado. PENAL E PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. SONEGAÇÃO DE PAPEL OU OBJETO DE VALOR PROBATÓRIO. ARTIGO 356 DO CÓDIGO PENAL. SENTENÇA CONDENATÓRIA. NEGATIVA AO DIREITO DO RÉU DE RECORRER EM LIBERDADE. ALEGAÇÃO DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. CABIMENTO. VÍCIO NA FUNDAMENTAÇÃO. REQUISITOS DO ARTIGO 312 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL NÃO ABORDADOS. AUSÊNCIA DE FATOS CONTEMPORÂNEOS. PERICULUM LIBERTATIS NÃO EVIDENCIADO. ORDEM CONHECIDA E CONCEDIDA

Leia mais

Justiça rejeita denúncia do MPAM que tratava crítica severa à decisão judicial como difamação

Juíza concluiu que expressões duras foram dirigidas ao ato judicial, e não à pessoa do magistrado; denúncia foi barrada antes de ser recebida por...

Empresa não pode sofrer restrição na Zona Franca por dívida tributária ainda sob recurso

Uma dívida tributária ainda submetida a recurso administrativo não pode produzir efeitos próprios de obrigação definitivamente exigível nem servir de fundamento para restringir a...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça rejeita denúncia do MPAM que tratava crítica severa à decisão judicial como difamação

Juíza concluiu que expressões duras foram dirigidas ao ato judicial, e não à pessoa do magistrado; denúncia foi barrada...

Loja e financeira são condenadas após negativar cliente que teve nome usado em fraude

O Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Assú-RN condenou uma loja de departamentos e uma empresa de...

Lojas são condenadas a indenizar consumidor por não realizar entrega de maca portátil comprada pela internet

Uma rede varejista e uma loja parceira foram condenados a pagar indenização por danos materiais e morais a um...

Comissão aprova atendimento acessível a mulheres com deficiência vítimas de violência doméstica

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei...