Justiça do Acre garante reconhecimento de paternidade durante audiência de violência doméstica

Justiça do Acre garante reconhecimento de paternidade durante audiência de violência doméstica

Colocar em prática a alteridade, que é olhar o(a) outro(a) com mais atenção, alcançando-o(a) na sua integridade, é um desafio que o Judiciário do Acre tem transformado em realidade. Exemplo disso é que durante esta “Semana Justiça pela Paz em Casa”, uma decisão garantiu o reconhecimento de paternidade da filha de uma vítima de violência doméstica.

Assinada pela juíza de Direito substituta Deise Minuscoli, a sentença considerou o que está previsto na Constituição Federal (CF) e no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).

O julgamento faz parte da disciplina “Prática de Jurisdição Criminal”, que integra o Curso de Formação Inicial de Magistradas(os), realizado pela Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud). Os trabalhos são conduzidos pelo juiz de Direito Cloves Ferreira que, além de ser formador do Órgão de Ensino, é um dos coordenadores do curso.

“Ação louvável de acolher essa declaração, esse reconhecimento, mesmo em um processo criminal, pois, dessa forma, preconiza-se o interesse maior da criança, conforme o dispositivo legal. Ao mesmo tempo, é uma decisão que enfatiza a qualidade da Magistratura Acreana, refletida nesse Curso de Formação, no qual se observa a busca incessante pela eficiência e celeridade processual”, declarou o magistrado.

O caso

Durante a audiência de violência doméstica, a vítima informou que possui uma filha com o réu, contudo a paternidade não foi reconhecida na Certidão de Nascimento.

Preso por causa de outro crime, L. L. D. S. foi julgado nessa quinta-feira (13) pela prática de violência doméstica (lesão corporal), tendo sido condenado. Tanto no interrogatório, quanto no final da instrução processual, o réu manifestou interesse no reconhecimento da sua filha, requerendo o auxílio da Defensoria Pública. Diante dessa manifestação, o Órgão de assistência jurídica solicitou a homologação do reconhecimento da paternidade, no que houve concordância do Ministério Público Estadual.

A decisão

“Muito embora o reconhecimento da paternidade não seja objeto da presente demanda, o pedido formulado deve ser deferido. Verifica-se que o direito ao reconhecimento de paternidade/filiação é assegurado na Constituição Federal”, assinalou a magistrada.

A decisão também considerou o ECA e o Código Civil, de modo a resguardar o direito subjetivo da criança e do genitor.

Deise Minuscoli salientou que a existência de eventual registro anterior de paternidade por terceiro não impede o reconhecimento de uma nova paternidade pelo pai da criança, haja vista a possibilidade da paternidade socioafetiva. Por isso, a genitora foi intimada para que forneça os dados necessários à averbação.

A ressocialização

Atualmente, L. L. D. S. está em fase de ressocialização, afastado há aproximadamente um ano do uso de substâncias entorpecentes. Nesse sentido, a decisão levou em conta “o nítido o empenho dele em construir uma nova história, iniciando com o reconhecimento da paternidade de sua filha”.

A ressocialização permite a reinserção das pessoas que cumprem pena na família, no mercado de trabalho e na sociedade. Além disso, contribui diretamente evitar a reincidência dos crimes, à redução da criminalidade, bem como para que se concretize a cidadania.

Com informações do TJ-AC

Leia mais

Ter respondido a ação penal prescrita não justifica exclusão de candidato de concurso da PM

Edson Fachin barra recurso do Amazonas e preserva decisão do TJAM que garantiu retorno de candidato eliminado na investigação social por ter respondido a...

Aluno deve ser indenizado se ficar à espera injustificada de diploma após concluir faculdade

A demora injustificada de uma instituição de ensino para entregar o diploma a um aluno que já concluiu regularmente a graduação pode gerar indenização...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Habeas corpus não pode ser usado para buscar condenação de réu absolvido

Decisão no STJ afasta tentativa de reabrir recurso da vítima e ressalta que o instrumento protege a liberdade de...

Empresa é multada por citação de jurisprudência inexistente

A 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES) aplicou multa por litigância de má-fé a...

Projeto prevê dedução de despesas com cães e gatos no Imposto de Renda

Projeto de lei apresentado recentemente permitiria a dedução do Imposto de Renda de despesas com consultas, tratamentos e exames...

Certidões de óbito deverão trazer contexto da causa da morte em caso de ação policial

Os registros de óbito que tenham acontecido por ação dos órgãos de segurança pública devem informar o contexto da...